A inovação voltada para a infraestrutura

A ABDIB realizou no dia 16 de agosto o Infratech Day, evento promovido em parceria com a empresa de consultoria PWC e destinado a apresentar os casos de sucesso das...

A ABDIB realizou no dia 16 de agosto o Infratech Day, evento promovido em parceria com a empresa de consultoria PWC e destinado a apresentar os casos de sucesso das 15 companhias associadas que se classificaram entre as 150 Empresas Mais Inovadoras de 2022, de acordo com o ranking Valor Inovação Brasil. As apresentações foram divididas em três painéis temáticos. O primeiro tratou da Transição Energética. Outro painel discutiu a Inovação na Gestão de Clientes. O terceiro e último tratou da Inovação Organizacional.

Na abertura, que contou com a participação do presidente-executivo da ABDIB Venilton Tadini e do coordenador do Comitê de Inovação, Maurício Endo, o consultor Yuri Hollerbach , da PWC, apresentou os dados que serviram de base para a pesquisa. O levantamento abrangeu 25 setores da economia. Foram avaliados 995 casos de 253 companhias que, juntos, envolveram investimentos de R$ 70 bilhões. Os exemplos foram avaliados de acordo com cinco pilares que levaram em conta a) Intenção: avaliação da estratégia e visão, além da cultura e valores inovadores da companhia; b) Esforço: levou em conta os recursos, os processos e a estrutura; c) Resultados: tanto os específicos quanto os gerais do processo inovador; d) Patentes: ou seja, o registro do conhecimento e) Citações ao projeto, que significam o reconhecimento do ato inovador.

TRANSIÇÃO ENERGÉTICA — O primeiro painel, que tratou sobre Transição Energética, foi mediado por Paulo Toledo da PWC e contou com a participação de cinco empresas em uma rodada de debates com 5 empresas: a EDP foi representada por Marinnah Conventi Dias. A Empresa líder no setor de inovação pelo quarto ano consecutivo, a EDP está presente em toda a cadeia do setor elétrico, sendo um player importante no processo de transição energética.

A Eletrobras foi representada por Juliano de Carvalho Dantas. Ele falou sobre a importância da exportação de energia e como o Brasil pode ser campeão em inovação neste cenário. A empresa também está engajada no processo de descarbonização e de recuperação da Amazônia.

A ISA CTEEP foi representada por Victor Makida Nakashima. Ele analisou que, sem transmissão, não há transição. Nakashima orientou sua apresentação para o armazenamento de energia e mostrou como a empresa atua nesse segmento. O objetivo de se usar baterias em larga escala no sistema interligado nacional é eliminar a sobrecarga em pontos específicos, como o litoral de São Paulo, que em determinadas épocas do ano registram grande aumento de demanda.

A SABESP foi representada por Paula Violante. De acordo com a empresa, o mercado livre de energia passou por uma redução de opex com cerca de 65% do consumo e de 54% dos custos de energia no mercado livre. Em 2022, a economia foi de cerca de R$ 292 milhões com as UCs no mercado livre, comparado ao que se gastaria no mercado regulado.

A fabricante de motores WEG foi representada por Sebastião Lauro Nau. Ele trouxe um breve histórico do papel da empresa no processo de transição energética e mostrou os produtos inovadores oferecidos pela companhia. A WEG vem desenvolvendo produtos voltados para a utilização do Hidrogênio Verde e está empenhada em fazer motores com menor quantidade de matérias—com o objetivo de reduzir o impacto sobre o meio ambiente.

 

O PAPEL DO CLIENTE — O segundo painel tratou da Inovação na Gestão de Clientes e foi mediado por Alex Braga, gerente sênior da PWC. Em sua visão, clientes atuais têm apresentado demandas que levam em conta as transformações do mercado e isso precisa ser atendido pelos fornecedores. Inácio Dantas, diretor de serviços ao cliente da Neoenergia, que atende a 16 milhões de clientes em 18 estados e 16 milhões de clientes, disse que a empresa vem investindo nas transformações internas de seus colaboradores no que diz respeito à compreensão da importância do cliente. O objetivo é capacitá-los para identificar as reais necessidades e como podem estar mais perto de seus clientes. A empresa também trabalha em projetos inovadores de conexão digital, buscando ouvir e entender o cliente em suas experiências no relacionamento com a empresa.

Rosário Zaccaria, da Enel, falou sobre as exigências dos clientes e de como a empresa tem acompanhado a abertura dos mercados de energia. Ele destacou a importância da inovação através da utilização de aplicativos em celulares para centralizar informações sobre o setor e de como é possível enxergar a inovação através desse ecossistema que tende a evoluir até o livre mercado, em que o cliente escolherá a empresa de quem comprará a energia que consome.

Bruno Monte, da CPFL, falou sobre inovação no setor de energia elétrica. Para ele, o mercado passa por um momento importante na liberalização de compra de energia através da fabricação de produtos e no desenvolvimento de estratégias para a conexão com seus diferentes clientes. Dois projetos importantes que estão acontecendo agora. Um deles, chamado simplify, busca estratégias para se aproximar do consumidor por meio de processos de relacionamento mais simples e mais ágeis. Além disso, a empresa busca empregar ferramentas de Inteligência artificial em todos os seus projetos.

Diego Rafael Dal Magro, da AEGEA, falou sobre o desafio de atender 30 milhões de pessoas. A empresa tem investido em tecnologia e se valido da concessão da cidade de Manaus como exemplo do que pode ser feito para inovar a relação entre a condição social do cliente e o acesso de todos aos serviços de água e esgoto.

 

ORGANIZAÇÕES INOVADORAS — O terceiro painel tratou de Inovação Organizacional e iniciou com a fala de Mariana Coelho da VLI. Ela apresentou o modelo de prestação de serviços logísticos da empresa e descreveu os processos de soluções multimodais para os clientes. Na sequência, Diogo Enoque da Concremat falou sobre a governança da empresa e da busca por soluções inovadoras por meio da inteligência artificial. De acordo com ele, muitos de seus projetos perdem desempenho porque diversas regiões do país não contam, por exemplo, com uma rede de internet básica para dar suporte aos trabalhos.

Euler Faria da Vale, apresentou os novos modelos de negócios focados em minério de ferro—que hoje estão integrados a um departamento de inovação com autonomia para validar novos projetos e soluções. Isso inclui a prospecção e a modelagem de novos negócios para aproveitamento dos rejeitos de barragens.

André Medina, responsável pelo setor de inovação da Andrade Guitierrez falou da dificuldade de inovações em engenharia em lugares onde a tecnologia ainda se torna precária para a realização de diversos projetos na ponta. Em 2018 foi criado um programa de inovação com projetos que vêm de fora para a área de engenharia. Guilherme de Souza da Barbosa Mello, falou sobre o uso da tecnologia para suprir a falta de mão de obra para os projetos de engenharia e da busca de soluções inovadoras para a movimentação de materiais para serviços de engenharia.

No encerramento, o presidente-executivo da ABDIB Venilton Tadini observou que o tema da inovação ainda é visto como algo recente — mas que essa discussão vem sendo travada ao longo dos anos sempre em busca de avanços tecnológicos e de processos produtivos. A infraestrutura, segundo ele, neste momento em que se discute a transição energética e os custos ambientais dos processos produtivos tem muito a ganhar com a busca por soluções inovadoras e adequadas às necessidades da economia brasileira.