O mundo já está passando por transformações geopolíticas há anos, mas este processo ficou mais forte após a crise da Covid-19 e a guerra Rússia-Ucrânia. Os países, sempre na defesa do emprego e produtos nacionais, estão cada vez mais protecionistas.
Na busca por maior autossuficiência, os países, principalmente os mais desenvolvidos (EUA, União Europeia e China) estão adotando políticas de incentivos para que suas empresas não dependam tanto de insumos produzidos fora, muitas vezes do outro lado do mundo.
As principais motivações para o aumento do protecionismo são: segurança nacional, preocupações geopolíticas, resiliência/segurança do abastecimento (não alimentar), competitividade nacional em setores estratégicos e mitigação das alterações climáticas e outros objetivos ambientais.
Os produtos mais visados pelas intervenções são: tecnologia de baixo carbono (turbinas eólicas, painéis solares, sistemas de biomassa e equipamentos de captura de carbono), descobertas científicas avançadas, softwares e tecnologia que podem ser utilizados para fins civis e militares, minerais críticos, produtos de tecnologia avançada (aplicações médicas e industriais, eletrônica, robótica, fibra ótica, produtos aeroespaciais e tecnologia nuclear), semicondutores, produtos médicos e pesquisa tecnológica e serviços digitais.
E os instrumentos mais utilizados são: barreiras à exportação e importação, subsídios e reduções fiscais, subvenções, empréstimos estatais e garantias de empréstimos, incentivos à exportação, medidas de investimento direto estrangeiro, políticas de conteúdo local e incentivos ou requisitos de localização.
A nossa Nova Indústria Brasil – NIB, com as seis missões já estabelecidas, vai no mesmo caminho, mas em escala menor pelas restrições fiscais, mas é preciso acelerar as ações, para não perdermos as janelas de oportunidades.
Roberto Figueiredo Guimarães
Diretor da ABDIB e ex-Secretário do Tesouro Nacional

