Inflação é um mal. Trata-se de um imposto que recai mais sobre os menos favorecidos. Impede o crescimento econômico. Embola o sistema produtivo. Piora a distribuição de renda, favorecendo os mais ricos. Por tudo isto e muito mais, ela precisa ser combatida.
Ainda mais no Brasil, que já conviveu com inflação mensal da ordem de 80% ao mês. Isto mesmo, ao mês. Só conseguimos acabar com este mal em 1994 com o Plano Real.
Após 1999, com a adoção aqui no Brasil do sistema de Meta de Inflação, a inflação, medida pelo IPCA, do IBGE, até que se comportou mais ou menos bem, com média de 6,4% ao ano. É uma média ainda elevada em relação ao intervalo de 2% a 3%, considerado o mais adequado para o bom funcionamento de uma economia.
Agora em 2021 e 2022, no cenário pós covid-19 e guerra Rússia-Ucrânia, com desarranjos nos sistemas produtivos no mundo todo, a inflação média subiu para 7,9% ao ano. Neste mesmo período, nossa taxa de juros deu um pulo, saindo de 2% ao ano para 13,75% ao ano.
A inflação está mais calma. Depois de ter alcançado 10,06% em 2021, o IPCA já está em 4,65% no acumulado em 12 meses até março/23. Os índices IGP-DI e IGP-M, apurados pela FGV, que carregam outras pesquisas de preços, variaram -1,16% e 0,17% no mesmo período. Ou seja, tivemos deflação no IGP-DI e inflação quase nula no IGP-M.
Embora não haja consenso no mundo sobre a efetividade do sistema de metas de inflação sobre o desempenho da economia, é, no mínimo, prudente mantê-lo no Brasil.
E como a política monetária é a principal ferramenta para manter a inflação nos patamares estabelecidos – e isto vale para a atuação do Banco Central com autonomia legal ou não, as metas de inflação precisam ser críveis e levar em consideração os fundamentos da economia, choques extraordinários, alterações nos padrões de consumo e as diversas modalidades de pesquisa de preços.
Roberto Figueiredo Guimarães
Diretor da ABDIB e ex-Secretário do Tesouro Nacional
