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Volto às expectativas. Os agentes econômicos (mercado financeiro, empresários e até famílias) tomam decisões de acordo com suas expectativas quanto ao comportamento futuro da economia. Estas decisões afetam o preço...

Volto às expectativas. Os agentes econômicos (mercado financeiro, empresários e até famílias) tomam decisões de acordo com suas expectativas quanto ao comportamento futuro da economia. Estas decisões afetam o preço de ativos, como câmbio, bolsa de valores, imóveis, títulos públicos, etc.

Neste período pós eleições, estamos vivenciando uma gangorra nos preços dos ativos, movimentada pelas diferentes expectativas a cada notícia ou pronunciamento do governo eleito. Não há razão para isto.

Nossa democracia, embora jovem, tem mostrado maturidade. Temos um Banco Central independente, cujas ações independem de interferências dos Poderes Executivo e Legislativo. A PEC da Transição já delimitou um teto para as despesas, não havendo nenhum sinal de explosão dos gastos públicos e da relação Dívida/PIB.

O Ministério da Economia será desmembrado, o que aumentará os papeis do planejamento e das políticas industrial e de inovação.

O vilão das contas públicas não são os gastos com pessoal ou investimentos, mas as despesas com benefícios previdenciários e assistenciais e o custo da dívida pública, este último com juros reais desnecessariamente acima de 8%a.a.

O Brasil precisa crescer, até para ter arrecadação suficiente para bancar suas despesas. E os juros precisam cair, não apenas para reduzir o custo da dívida, mas para criar condições para a retomada dos investimentos privados. Economizar com juros libera recursos para a execução de programas sociais e de investimentos. 

Mas os juros não caem com uma simples canetada, mas com boas expectativas.

Assim, a melhor medida de política econômica a ser adotada agora, já num ambiente pós PEC da Transição, é convencer os agentes econômicos de que o novo governo está comprometido com as reformas tributária e administrativa e que evitará retrocesso regulatório nos programas de concessão de investimentos em infraestrutura.

 

Roberto Figueiredo Guimarães

Diretor da ABDIB e Ex-Secretário do Tesouro Nacional