Alguns leitores, dos mais céticos aos que defendem a necessidade de política industrial, pediram dados sobre indústria, investimentos, câmbio, juros e tributos que ilustrem as afirmações contidas no último artigo.
Vejamos os primeiros, calculados a partir de dados do IBGE em moeda constante. A relação Indústria de Transformação/PIB caiu de 14% do PIB em 1996 para 9% em 2023. Os Investimentos (FBCF) saíram de 20% para 18% do PIB no mesmo período.
Vamos a outros dados. A indústria de transformação é o setor que mais contribui com a arrecadação tributária (tributos federais, Previdência Social, FGTS e ICMS) do País. Participa com cerca de 30% da arrecadação e com apenas 10% da formação do PIB, o que mostra o desequilíbrio entre produto e tributo. Há também desequilíbrio no Agro, mas de forma inversa: Ele contribui com cerca de 7% do PIB e com menos de 1% da arrecadação. Deve ser por isso que o Agro é pop, agro é tech, agro é tudo.
Segundo dados do Banco Central, o índice de câmbio real, considerando a base 100 em 1994, ficou entre 67 e 99, de 1994-98 e entre 62 e 99, de 2007-17. Foram quinze anos de valorização cambial, estimulando importações e desestimulando exportações, sendo estas últimas um “drive” importante para o avanço da indústria. Não há País desenvolvido que não tenha um forte setor manufatureiro exportador e cujas exportações não sejam superiores às de commodities agrícolas. Estamos muito longe disto.
Nos últimos trinta anos, apenas em oito (2001, 2012-13, 2018-19 e 2022) tivemos juros reais inferiores a 4%a.a., o que inibiu investimentos, principalmente em inovação. Neste período, a combinação câmbio-juros também só foi favorável à indústria em oito anos, nos períodos 2001-02, 2013 e 2018-22.
Tudo isto mostra que a política indústria precisa estar inserida num ambiente macroeconômico estável, saudável e próspero.
Roberto Figueiredo Guimarães
Diretor da ABDIB e ex-Secretário do Tesouro Nacional

