As exportações brasileiras atingiram US$ 340 bilhões em 2023, contribuindo para a geração do superávit comercial de US$ 100 bilhões.
Apenas dez produtos representaram quase metade das exportações. São eles, nesta ordem, soja, petróleo, minério de ferro, açúcares, milho, farelo de soja, carne bovina, carne de frango, demais produtos da indústria de transformação e celulose.
E poucos países concentraram grande parte das nossas vendas: China, EUA, Argentina, Holanda, México, Chile, Espanha, Singapura, Japão e Alemanha.
Este quadro tem pontos positivos e de atenção. Positivo, porque mostra a consolidação do Brasil como importante exportador de produtos agropecuários e da indústria extrativa. De atenção, porque mostra muita concentração, tanto na pauta de produtos exportados como no número de parceiros comerciais.
A resultante tem sido positiva, pois poucos países conseguiram atingir este nível de saldo na balança comercial. Por outro lado, não há país desenvolvido cujas exportações de produtos agropecuários sejam superiores às de manufaturados. No Brasil é e muito.
Precisamos expandir o leque de produtos e de parceiros comerciais, até como seguro contra eventual crise econômica nos principais países importadores. Se bem que recessão na China e nos EUA afeta o mundo inteiro.
Por isso, ao mesmo tempo em que é necessário manter o protagonismo nas exportações de produtos primários, precisamos expandir as exportações da indústria de transformação. Não será um caminho fácil, pois sofremos uma grande desindustrialização e precisamos retomar o tempo perdido.
Nosso câmbio parece estar em equilíbrio e as taxas de juros estão caindo. Precisamos, então, investir em inovação e no aumento da produtividade e aproveitar as oportunidades decorrentes da transição energética. O programa Nova Indústria Brasil – NIB, se bem executado, pode ser o caminho.
Roberto Figueiredo Guimarães
Diretor da ABDIB e ex-Secretário do Tesouro Nacional.

