Na semana passada, o Comitê de Política Monetária – COPOM, do Banco Central, interrompeu o ciclo de aumento das taxas de juros iniciado em março de 2021, quando os juros estavam em 2%a.a., e manteve a taxa SELIC em 13,75% a.a.
Em seu comunicado, o COPOM afirmou que passos futuros de política monetária poderão ser ajustados e que não hesitará em retornar ao ciclo de aumentos dos juros caso a inflação não caia como esperado.
O COPOM justifica sua decisão, inclusive para não iniciar agora um ciclo de redução dos juros, citando a persistência de pressões inflacionárias e queda da atividade econômica no mundo e as incertezas quanto ao arcabouço fiscal no Brasil pós eleições.
Não há dúvida de que a conjuntura externa é adversa, com elevação dos juros pelos bancos centrais e queda de atividade econômica mundo afora. No front interno, em que pese a boa performance fiscal deste ano e as sinalizações das equipes dos presidenciáveis quanto à necessidade de manutenção da responsabilidade fiscal, há incertezas com relação à estabilidade das contas públicas a partir de 2023.
Mas a manutenção dos juros em 13,75%, com expectativa de inflação em torno de 5% para os próximos 12 meses, implica juros reais superiores a 8%a.a., o que não se via aqui desde 2006. E isto, claramente, vai inibir a retomada do crescimento econômico, pois não haverá estímulo à realização de novos investimentos. Oferta e demanda encontrarão seu equilíbrio num nível mais baixo de preços, renda e emprego.
É claro que a prudência é recomendada, mas, com os dados fracos da indústria e do comércio varejista, num ambiente de menor pressão sobre a inflação, já seria possível pensar numa queda gradual dos juros.
E se este movimento ocorrer pós eleições, mas antes do final do ano, num ambiente mais conhecido quanto ao encaminhamento da política fiscal em 2023, já será um bom começo.
Roberto Figueiredo Guimarães
Diretor da Associação Brasileira da Infraestrutura e Indústrias de Base – ABDIB e Ex-Secretário do Tesouro Nacional
