Somos mesmo o País dos contrastes e disparidades. Precisaríamos escrever uma enciclopédia para descrevê-los. Como não temos espaço, vamos indicar aqui alguns.
Saúde. Na rede pública, há hospitais sem médicos e equipamentos. Naqueles com infraestrutura, há filas homéricas para a marcação de consultas, exames e cirurgias eletivas. Em contraste, temos hospitais públicos de referência, como o Hospital das Clínicas em SP, e nosso SUS respondeu com galhardia às demandas decorrentes da Covid-19.
Educação. Os alunos da rede pública saem da escola (quando conseguem finalizar o curso) com baixo nível de aprendizado. Em contraste, há dezenas de casos de premiação de alunos de escolas públicas em maratonas e olimpíadas de matemática, ciências, etc. mundo afora.
Saneamento básico. O nível de atendimento de saneamento básico (água e esgoto) no Brasil é, em que pese evidente melhoria nos últimos anos, ainda muito baixo. Enquanto no Sudeste o atendimento de esgoto atinge 81% da população, no Norte e Nordeste está em apenas 14% e 31%, respectivamente.
Carga tributária. Tributamos mais a folha de salários e o consumo do que renda, lucro e ganhos de capital. Por isso, quem tem menor renda paga proporcionalmente mais tributo do que os mais ricos. É justamente esta regressividade que a reforma tributária recém aprovada pretende atenuar.
Habitação. O preço do metro quadrado da Faria Lima (SP) e Ipanema-Leblon (RJ) está entre os maiores do País. Em contraste, são regiões a poucos quilômetros ou até metros de favelas/comunidades.
Mudanças climáticas extremas. Enquanto há secas históricas no Norte e Centro-Oeste, há enchentes inimagináveis no Sul.
Os investimentos em infraestrutura (econômica e social), via concessões e PPPs, são importantes ferramentas de política pública, em todas as esferas de governo, para atenuar estes contrastes e disparidades.
Roberto Figueiredo Guimarães
Diretor da ABDIB e ex-Secretário do Tesouro Nacional

