Com a recente concessão da gestão de diversos aeroportos, incluindo Congonhas, a infraestrutura aeroportuária está quase toda sob gestão privada. Ficam, ainda, sob o comando público, o aeroporto de Santos Dumont, que deverá ser concedido juntamente com o Galeão – em processo de devolução – além de aeródromos menores sob gestão de Estados e Municípios. Mas, em termos de passageiros transportados, já está quase tudo sob gestão privada.
Com isto, o setor aeroportuário junta-se aos de telecomunicações e energia, com elevada gestão privada. A população é a grande vitoriosa destes processos, pois conta com o acesso à prestação de serviços públicos de melhor qualidade. Sem falar nos empregos e renda gerados em toda a cadeia produtiva dos investimentos em infraestrutura.
Resta, então, continuar com os avanços nas concessões de ativos dos setores de logística e saneamento básico, que ainda apresentam elevado hiato de investimentos.
O menor hiato está no saneamento básico, que, na esteira do novo marco legal, já começou a ser estreitado, através das concessões realizadas por Estados e Municípios. Embora ainda haja algumas lacunas regulatórias, principalmente para viabilizar o acesso de grande parte da população de cerca de mil munícipios de pequeno porte aos serviços de agua e esgoto, os avanços são inquestionáveis.
O maior hiato de investimentos está na logística de transporte, notadamente nas rodovias federais, estaduais e municipais, asfaltadas ou não, que apresentam menores níveis de manutenção, conservação e satisfação do usuário, quando comparadas com as administradas pelo setor privado. Além, é claro, da necessária expansão do modal ferroviário para transporte de carga e passageiros, indispensável num país com as dimensões como o nosso.
Assim, é preciso reconhecer e continuar com os avanços até aqui obtidos e evitar retrocessos.
Roberto Figueiredo Guimarães
Diretor da Associação Brasileira da Infraestrutura e Indústrias de Base – ABDIB e Ex-Secretário do Tesouro Nacional
