ABDIB discute saúde mental no ambiente de trabalho

A ABDIB promoveu nesta terça-feira, dia 13 de agosto, na série Diálogos da Infraestrutura, um seminário que abordou o tema Saúde Integral com foco em Saúde Mental. Conforme explicou o...

A ABDIB promoveu nesta terça-feira, dia 13 de agosto, na série Diálogos da Infraestrutura, um seminário que abordou o tema Saúde Integral com foco em Saúde Mental. Conforme explicou o presidente do Conselho de Administração André Clark na apresentação do evento, que “a ideia é fortalecer a comunidade da infraestrutura ao redor da importância desse tema para a segurança no ambiente de trabalho”, sobretudo nas grandes organizações. 

Clark apontou que, nos dias atuais, fatores que antes não tinham interferência sobre o ambiente de trabalho, têm se tornado fator de preocupação dentro das empresas. Um exemplo disso são as apostas esportivas por meio dos aplicativos eletrônicos, de bets (palavra em inglês que significa aposta).  “Essas apostas já começam a se tornar um fator preocupante, a ser acompanhado pelas empresas”.

O presidente-executivo, Venilton Tadini, na apresentação do debate, chamou atenção para a importância e a atualidade do tema. “Em um cenário global pós pandemia de covid19, a saúde mental nas empresas tornou-se mais que uma prioridade”, observou Tadini. “Tem sido observado o aumento do estresse, da ansiedade e do burnout entre os trabalhadores, surgindo a necessidade de medidas de prevenção, assistência e capacitação em busca da identificação de fatores de risco psicossociais e desenvolvimento de ambientes com segurança psicológica”.

CAUSAS RECORRENTES — As discussões foram coordenadas pelo médico Fernando Heindrich, Head Latam de Saúde da Siemens Energy, e a primeira apresentação, de Daniel Landim, advogado trabalhista do escritório Tauil Chequer, tratou dos aspectos jurídicos relacionados com a saúde mental no ambiente de trabalho. Ele chamou atenção para as normas que as organizações precisam seguir para lidar com esse tipo de questão e para a importância de identificar e prevenir os fatores que podem gerar problemas e, em consequência, causar impacto nas empresas. “O assédio moral e sexual, por exemplo, são causas recorrentes de problemas nesse campo”, disse Landim.

Hebson Nery, da Vale, apresentou em seguida dados que mostram o Brasil como o país mais ansioso, como o segundo país mais estressado e como o quinto com mais casos de depressão entre todos os países do mundo. Baseado em dados internacionais, cerca de 30 milhões de pessoas ou 15% do total da população do país estão sujeitos a algum tipo de transtorno mental. Esses transtornos são a segunda maior causa de afastamento do trabalho no Brasil — e o número de dias de trabalho perdidos por esse motivo dobrou nos últimos anos. 

AMBIENTE SAUDÁVEL — Fernando Moraes, Gerente Médico da Vale, observou que mais da metade dos trabalhadores da empresa declaram desconhecer ou saber muito pouco a respeito das questões relacionadas com saúde mental. E destacou a importância de se investir na prevenção, a começar pela identificação do problema. Esse trabalho começa com a resposta, pelo funcionário, de um questionário que é o primeiro passo para o diagnóstico do problema e precisa da concordância de cada pessoa para ser aplicado. 

Conforme os números apresentados, 90% dos colaboradores da empresa aderiram ao programa, mais de 23 mil pessoas foram capacitadas a lidar com o problema e mais de 28 mil fazem autoavaliações de saúde mental. Em consequência do acompanhamento do trabalho, a empresa — que em janeiro de 2019 foi impactada pelo acidente com a barragem de rejeitos, que causou mais de duzentas mortes no município mineiro de Brumadinho — está há um ano e meio sem afastamento por problemas de saúde mental. “O programa não elimina os problemas, mas nos faz estar preparados para lidar com esse cenário tão desafiador”, diz Moraes.

O médico observou que as questões de saúde mental não são tão simples de se diagnosticar como os casos de hipertensão ou de diabetes e que, muitas vezes, a primeira dificuldade a ser vencida é a do próprio colaborador, que precisa ser convencido a integrar o programa. “É preciso criar um ambiente em que as pessoas se sintam à vontade para expor seus problemas. Seremos empresas mais produtivas se tivermos pessoas mais saudáveis tomando conta dela”, concluiu. 

LEGISLAÇÃO E NORMAS GLOBAIS — Leonardo Rigoleto Soares, médico do trabalho da Siemens Energy, falou da experiência da empresa nesse campo. A companhia tem uma diretriz global para lidar com as questões de saúde, e tem um pilar global de saúde global. Ela oferece proteção para as pessoas que desenvolvem o problema, dá suporte para o tratamento e promove a prevenção dos problemas causadores de problemas e investe na prevenção. “Um dos grandes pilares de um programa como esse é a conquista da confiança dos colaboradores”, diz.

A estratégia da Siemens Energy foi construída levando-se em conta a legislação e as normas globais. “Temos especialistas ao redor do mundo construindo nossa estratégia global de saúde e, em consequência, de saúde mental”, afirmou. Entre as iniciativas da empresa, um questionário voltado para a prevenção de suicídio foi desenvolvido no Brasil hoje é utilizado pelas filiais da empresa em toda a América Latina. O questionário é anônimo e permite uma resposta rápida a quem está adoecendo ou já está doente. Ele também leva à identificação de áreas de risco dentro das organizações. A partir de setembro, a empresa passará a aplicar um questionário europeu que permitirá a identificação pormenorizada dos fatores de risco relacionados ao ambiente de trabalho. Isso possibilitará a adoção de ferramentas que permitam lidar com os riscos coletivos e individuais. 

De acordo com Rigoleto, a Siemens Energy dispõe de um ambulatório de saúde mental dentro da empresa e desenvolveu um modelo de abordagem que capacitou a equipe de socorristas responsável pelo primeiro atendimento às pessoas que apresentam algum tipo de problema a lidar com questões de saúde mental. 

ÁREAS INTEGRADAS — Fernando Heidrich destacou que essa é uma questão complexa, que precisa que as pessoas estejam preparadas para falar de seus problemas de saúde mental. “Não adianta tratar a saúde de forma isolada. A área precisa trabalhar integrada aos Recursos Humanos e às lideranças das áreas”. 

A diretora da Siemens Energy, Roberta Carneiro, lembrou a experiência da empresa durante a pandemia de Covid-19 e destacou a importância de se trazer algumas das práticas adotadas naquele momento para o nosso dia a dia. “Naquele momento, tentávamos chegar a todos os lugares da melhor forma possível”, disse. “Isso facilitou nosso esforço para chegar a todos os colaboradores, em todos os lugares de atuação da companhia”. Ela destacou, ainda, a importância de se discutir as experiências de cada empresa e, cada vez mais, trazer as questões relacionadas com a saúde, a segurança e o meio ambiente para o centro das discussões”.