Há pelo menos duas frases icônicas comumente citadas em conversas sobre governo e economia, seja em bares seja nos escritórios e gabinetes oficiais. A primeira, atribuída a Pedro Malan, é “no Brasil, não é só o futuro que é incerto. O passado também é imprevisível.” Trata-se de uma alusão à instabilidade de dados e regras no país.
A outra, atribuída a Roberto Campos, é “infelizmente, o Brasil nunca perde uma oportunidade de perder oportunidades”. É disso que trataremos aqui, pois, nas últimas décadas, os governos ficaram focados em resolver problemas importantes como a hiperinflação, moratória da dívida externa, desequilíbrios fiscais em todas as esferas de governo, fechamento de bancos públicos e privados, reordenamento financeiro do setor público federal (unificação orçamentária e fechamento do orçamento monetário), desestatização (privatizações e concessões) etc., e deixaram de avançar em outras questões.
Uma delas foi na indústria. Sofremos um processo de desindustrialização e ficamos fora das grandes cadeias de valor. Viramos um país primário exportador (minérios e grãos) e não produzimos produtos de maior valor agregado. Também não avançamos na fabricação de semicondutores.
Embora sejamos um dos mais importantes países produtores e exportadores de grãos do mundo, não desenvolvemos e somos dependentes da importação de insumos para a fabricação de fertilizantes.
O Custo Brasil é elevado, pois não investimos em ferrovias, hidrovias e dutovias. Somos dependentes de uma malha rodoviária também pequena em termos relativos. Somente há pouco tempo conseguimos avançar no saneamento básico.
Há agora na nossa frente duas novas oportunidades que não podemos deixar passar: Terras raras para a fabricação de produtos estratégicos de alto valor tecnológico e investimento na infraestrutura digital (conectividade, IA, datacenters etc.).
Roberto Figueiredo Guimarães
Diretor da ABDIB e ex-Secretário do Tesouro Nacional

