Os Ministérios dos Transportes e de Portos e Aeroportos lançaram na semana passada o Plano Nacional de Logística 2050 para fortalecer a logística brasileira e ampliar a competitividade econômica.
O PNL 2050 projeta um crescimento exponencial da movimentação de cargas no país (para os mercados interno e externo), o que demandará massivos investimentos público e privado, que são indutores de demanda, reduzem as desigualdades regionais e desenvolvem a indústria. Estima investimentos de R$ 1,2 trilhão até 2050 (60% privado e 40% público) em 42 eixos de transporte, divididos em 31 eixos (12 rodoviários, 8 ferroviários, 4 aquaviários e 7 intermodais) e mais 11 eixos integrados em um banco de projetos futuros.
O plano, que contou com a colaboração de governos estaduais e do setor privado, tem como meta o maior equilíbrio da matriz de transportes, com importante expansão dos modais ferroviário, hidroviário e de cabotagem, foco na multimodalidade, descarbonização, transição energética e mitigação de riscos climáticos sobre a infraestrutura.
Agora, os ministérios responsáveis elaborarão seus planos setoriais que detalharão os cronogramas regionais e selecionarão os projetos e obras que receberão os aportes financeiros prioritários.
Não há dúvida de que o PNL 2050 é um importante instrumento de planejamento de médio e longo prazos, que objetiva antecipar gargalos que surgirão caso não haja os investimentos necessários. Ele está muito bem-feito e alicerçado em plataformas técnicas.
Como tudo tem um “mas”, é preciso que o plano não fique apenas no papel. O setor privado está batendo recordes sucessivos em investimentos, mas o setor público, com seus orçamentos engessados, não.
O PNL 2050 precisa ser um plano de Estado e não de governos e os orçamentos da União e dos Estados terão que garantir recursos para o setor público fazer a sua parte.
Roberto Figueiredo Guimarães
Diretor da ABDIB e ex-Secretário do Tesouro Nacional

