Bancos Centrais no mundo costumam realizar revisões em seus procedimentos para tornar a execução da política monetária mais eficiente.
A mais recente foi em 2024 no Banco da Inglaterra, conduzida pelo todo poderoso ex-presidente do FED, Ben Bernanke, que consistiu em uma revisão independente. O relatório estabeleceu 12 recomendações focadas em modernizar a infraestrutura de tecnologia, melhorar os processos de previsão econômica, utilizando cenários alternativos em vez de depender fortemente de uma única projeção e atualizar a comunicação da política monetária, inclusive com análises detalhadas de erros de previsão anteriores.
Agora é a vez do próprio FED, que convocou 15 especialistas externos, cinco deles nascidos no exterior, incluindo os ex-presidentes dos bancos centrais do Brasil (Armínio Fraga), da Inglaterra e da Índia, e dois deles nomeados para cargos de alto nível pelo presidente Barack Obama — para liderar seu principal esforço de reforma.
O FED anunciou a liderança e os objetivos dos trabalhos para aprimorar a condução da política monetária. Cada grupo de trabalho analisará se os meios e métodos dos formuladores de políticas, as ferramentas analíticas e as abordagens políticas podem ser aprimoradas, considerando as seguintes áreas: comunicação, balanço patrimonial, dados, produtividade e empregos e estruturas de inflação.
Com o apoio da equipe do FED, os grupos de trabalho operarão de forma independente, com o mandato de seguir as evidências, fornecer feedback e encaminhar suas conclusões para o Comitê Federal de Mercado Aberto (FOMC).
Nosso banco central aqui no Brasil deveria aproveitar e fazer o mesmo, na esteira das mudanças em curso no mundo, como IA, nova geopolítica, tecnologias e comunicação, e deixar de simplesmente seguir o Relatório Focus, que mais erra do que acerta.
É claro que isso ficaria para 2027.
Roberto Figueiredo Guimarães
Diretor da ABDIB e ex-Secretário do Tesouro Nacional

