Estamos numa gangorra, com sobe e desce de variáveis econômicas. O PIB do I TRIM/26, surpreendendo muita gente, está crescendo, menos do que nos anos anteriores, mas está crescendo, puxado, no lado da oferta, pelo agro, indústria extrativa e construção civil e, no lado da demanda, pelo consumo das famílias e investimentos. Indústria de transformação, serviços e consumo do governo apresentaram baixo crescimento.
Apesar do bom comportamento dos investimentos, com a interrupção do baixo desempenho observado nos últimos três trimestres, a relação Investimentos/PIB está em baixíssimos 16,8% (deveria estar em cerca de 25%).
O ciclo de cortes das taxas de juros, que deveria ter sido iniciado lá no segundo semestre do ano passado, foi atropelado pelos efeitos da guerra no Oriente Médio, devendo ser mais tímido do que o desejado, mantendo o Brasil como um dos líderes de juros reais do mundo.
As pautas-bomba do Congresso Nacional, com estimativas bilionárias de gastos públicos, alimentam as expectativas de inflação e de juros elevados. Mas o sistema de freios e contrapesos da democracia deve ser capaz de segurar essa pauta, pois, segundo nossa legislação, não pode haver criação de despesas sem a identificação de suas fontes de financiamento.
Somos grandes produtores de energia limpa e barata, mas com contas de luz caríssimas para quem não tem energia solar no telhado. Nosso IDH melhorou, entrando pela primeira vez na faixa de muito alto desenvolvimento humano, mas com elevadas desigualdades de renda.
O Índice de Desconforto, uma combinação entre inflação e desemprego, está no mais baixo nível em 20 anos. No entanto, a renda disponível das famílias está sendo corroída pelas taxas de juros, problema um pouco atenuado pelo Desenrola 2.
A lista de boas e más notícias é grande. Por isso, está bom, mas está ruim ou está ruim, mas está bom.
Roberto Figueiredo Guimarães
Diretor da ABDIB e ex-Secretário do Tesouro Nacional

