O Brasil já teve crescimento padrão chinês. Foi no período do “Milagre Econômico”, entre 1967 a 1973. Na esteira de programas de desenvolvimento econômico, a economia manteve forte crescimento até o final dos anos 70, quando foi surpreendida com a crise da dívida externa, dos juros e do preço do petróleo.
De lá para cá, em que pesem políticas públicas bem sucedidas como a abertura da economia, reordenamento financeiro do setor público, desestatização, eliminação da hiperinflação, saneamento de instituições financeiras, acumulação de reservas internacionais, não conseguimos fazer a economia crescer de forma sustentada.
Não tivemos uma estratégia de inserção da indústria nas cadeias globais de produção, o que contribuiu para a desindustrialização do país. Em função de restrições fiscais, deixamos de investir o mínimo necessário para manter nossos ativos de infraestrutura. Ficamos nos puxadinhos.
Temos agora com o NOVO PAC, uma tentativa de olhar para um horizonte de médio e longo prazos. Há boas notícias: (i) hoje, temos projetos mais bens estruturados, matrizes de risco melhor definidas, maior simetria de informações entre os poderes concedentes, agências reguladoras, concessionárias privadas e órgãos de fiscalização e controle; (ii) o setor privado foi chamado para participar dos projetos, via concessão e parcerias público privadas; (iii) há uma enorme janela de oportunidades, via investimentos na transição energética, eficiência e mobilidade elétrica, segurança alimentar, energias renováveis, etc.
Por outro lado, fica o enorme desafio. O setor público (União, Estados e Municípios) precisa estar preparado para estruturar centenas de projetos e garantir segurança jurídica e o setor privado precisa estar apto para preencher os gargalos que surgirão com a elevação da demanda por mão de obra, insumos, máquinas e equipamentos.
