Os atendimentos médicos da rede pública de saúde de Campinas subiram 40% nos últimos cinco anos, o que fez uma das três maiores cidades do Estado de São Paulo ganhar um número de usuários do Sistema Único de Saúde (SUS) semelhante ao de Ribeirão Preto, com 600 mil habitantes. A crise fiscal e a recessão econômica elevaram o desemprego e fizeram muitos perderem planos de saúde privados. O efeito se sentiu também na educação: se antes da crise o número de matrículas era estável por causa da redução do número de filhos, as matrículas na rede pública em Campinas devem crescer 20% com muitas famílias deixando de pagar escolas privadas.
A situação de aperto nas contas públicas deverá perdurar por um bom tempo. Diante desse diagnóstico, uma saída seria criar operações de securitização da dívida tributária da União. A proposta é da Associação Brasileira da Infraestrutura e Indústrias de Base (Abdib). “O Brasil não pode apenas contar com investimento privado em infraestrutura, mas tem de recuperar as condições de o Estado investir na área, só assim se pode melhorar a competitividade do país”, destaca o presidente da entidade, Venilton Tadini.
Estudo da Abdib aponta que o estoque de dívida ativa da União atinge cerca de R$ 1,8 trilhão, sendo que desse total cerca de R$ 90 bilhões já estão parcelados. Descontados 67% dos repasses para Estados e municípios, sobram R$ 60 bilhões para União. Aproximadamente R$ 35 bilhões são de dívidas de empresas devedoras com boa classificação internacional de risco. Vale e Petrobras somam cerca de R$ 25 bilhões. Há outras empresas nessa lista: Ambev, Bradesco, Itaú, Raízen. A ideia teria duplo efeito: um terço dos recursos, cerca de R$ 30 bilhões, poderia ser transferido como lastro para o Fundo Garantidor de Parcerias Público-Privadas. Isso poderia aumentar a capacidade de Estados e prefeituras investirem em infraestrutura.
