O maior problema da economia brasileira talvez seja o estrutural e elevado nível das taxas de juros. Elas freiam os investimentos na indústria, infraestrutura e inovação e limitam o crescimento do PIB. É por isso que nossa economia patina há décadas
Em muitos períodos, houve exageros do Banco Central, que jogou as taxas de juros em patamares acima do que era necessário e os 15%a.a. do ano passado são um bom exemplo disso. Na verdade, mesmo taxas inferiores a 15%a.a., mas de dois dígitos, ainda seriam elevadas.
Já há analistas estimando um freio maior na economia em 2027, em função, basicamente, dos efeitos das elevadas taxas de juros. Comércio, indústria e serviços estão mais fracos, como mostrou os últimos dados do Índice de Atividade Econômica do Banco Central – IBC-Br. Famílias e empresas estão muito endividadas e há dificuldades de crédito.
Mas, se depender dos programas de governo dos candidatos à Presidência da República, os juros elevados “podem” estar com os dias contados. Dias não, meses.
Isso porque, com mais ou menos intensidade, os programas dos candidatos falam em responsabilidade fiscal, geração de superavit primário, continuidade do programa de concessões, aumento dos investimentos públicos em infraestrutura, redução de benefícios/incentivos fiscais, reforma administrativa, redução das emendas parlamentares, reforma administrativa com cortes de penduricalhos e supersalários, privatização de empresas estatais, desvinculações orçamentárias etc.
Ocorre que grande parte dessas medidas, talvez cem por cento delas, dependerá de aprovação do Congresso Nacional, que vai ter que lidar com assuntos que implicarão em perdas e ganhos para setores, empresas e pessoas. Ou seja, o próximo Presidente da República, quem quer que seja, se quiser implementar as medidas acima, terá que negociar muito com o próximo Congresso Nacional.
Roberto Figueiredo Guimarães
Diretor da ABDIB e ex-Secretário do Tesouro Nacional

