O momento está fértil em assuntos polêmicos e complexos. Vejamos uma miscelânia de muito do que estamos passando.
Começando com o vai e vem do tarifaço do governo Trump. Em que pesem as importantes exceções, teremos dificuldades por aqui, que deverão ser atenuadas por medidas de apoio fiscal dos governos federal e estadual.
Na área energética, em que pesem avanços com a edição de Medidas Provisórias que alteram regras do setor, ainda permanecem os desequilíbrios decorrentes de subsídios cruzados, que oneram a indústria e a população de mais baixa renda.
A economia está crescendo menos, vítima dos juros elevados, ao mesmo tempo em que o desemprego está no seu nível mais baixo. O Tesouro Nacional gastará mais de R$ 1,0 trilhão com o pagamento de juros este ano e a maioria dos analisas está preocupada com um déficit primário de R$ 60 bilhões.
A indústria automobilística local, que carrega elevada carga tributária e paga juros altíssimos, está em guerra com os importados. Estamos vendo a disputa comercial entre os incumbentes e não para operar o novo terminal de containers do Porto de Santos. A inflação medida pelo IPCA está acima da meta, enquanto a medida pelo IGP-M está abaixo.
Estamos batendo recordes nos financiamentos para inovação e o governo, após chamar o setor privado para investir em infraestrutura, também com recordes sucessivos, eleva a alíquota de imposto sobre as debêntures.
O governo corta recursos orçamentários das agenciais reguladoras, importante ativo para a garantia de segurança jurídica, e depois devolve parte deles. O orçamento de investimentos do governo federal é menor do que os recursos destinados às emendas parlamentares, que são gastos sem critérios de priorização.
E há elevadas incertezas na nova geopolítica mundial, tanto no comercio como nos fluxos de capitais.
Ou seja, de tédio não morreremos.
Roberto Figueiredo Guimarães
Diretor da ABDIB e ex-Secretário do Tesouro Nacional

