ABDIB analisa a infraestrutura brasileira no Coinfra, da FIESP 

O presidente executivo Venilton Tadini e o diretor de Planejamento e Economia da ABDIB, Roberto Guimarães, apresentaram ao Conselho Superior de Infraestrutura — Coinfra — da Federação das Indústrias de...

O presidente executivo Venilton Tadini e o diretor de Planejamento e Economia da ABDIB, Roberto Guimarães, apresentaram ao Conselho Superior de Infraestrutura — Coinfra — da Federação das Indústrias de São Paulo — FIESP —, na sexta-feira, dia 21 de março, o diagnóstico e as previsões da entidade em relação à infraestrutura brasileira. O encontro foi contou com a presença do presidente do Coinfra, Murilo Passos, e do presidente do Conselho Superior da Indústria de Construção — Consic — Eduardo Capobianco. A reunião foi coordenada pelo vice-presidente do Coinfra, Júlio Ramundo.  

Na apresentação, que teve como tema a “Análise da Situação Atual e Perspectivas dos Investimentos da Infraestrutura”, Tadini observou que, para o ano de 2025, está previsto o maior volume de investimentos em infraestrutura da série histórica iniciada pela ABDIB em 2010. Para este ano, estão previstos R$ 288,2 bilhões em investimentos — sendo R$ 65,9 bilhões em recursos públicos e R$ 222,3 bilhões em dinheiro privado. 

Tadini apontou a evolução da infraestrutura e chamou a atenção para a necessidade de não se confundir o atual ciclo de investimentos em infraestrutura com os que houve no passado. “As perspectivas são as melhores possíveis, ainda que existam ajustes a ser feitos”.  Ele alertou para os impactos sobre os investimentos da taxa básica de juros, que deverá chegar a 15% ao ano na próxima reunião do COPOM e gerará despesas de R$ 1,1 trilhão com a rolagem da dívida interna. “Não estamos num mar de rosas, temos problemas fiscais”, disse Tadini. “Mas, apesar de tudo isso, a infraestrutura tem avançado, deve continuar avançando e esta é a boa notícia”. 

  

HIATO DE INVESTIMENTOS — Tadini chamou atenção para a importância, no atual processo de crescimento, da criação do Programa de Parcerias e Investimentos — PPI — em 2017. “O PPI criou uma nova estrutura de planejamento e governança e possibilitou a articulação entre os diversos órgãos envolvidos no processo de desenvolvimento”, observou. “Felizmente, essa estrutura se mantém até hoje”. Desde então, houve uma evolução regulatória que estimulou os investimentos privados no setor. É isso que está por trás do atual ciclo de investimentos.  

Um dos setores que mais sentiram o impacto foi o se saneamento, cujos investimentos saltaram de R$ 15,4 bilhões em 2016 e, depois da aprovação no Novo Marco Regulatório do setor, alcançará R$ 34 bilhões este ano e caminha para os necessários R$ 50 bilhões. Tadini observou que, mesmo com a evolução, ainda existe um grande hiato entre o investimento realizado e o valor necessário para suprir as necessidades do país em infraestrutura. O caso mais dramático é o do setor de Transporte e Logística, que deveria receber R$ 18,7 bilhões por ano, além dos R$ 52,7 bilhões investidos por ano. 

Tadini observou que houve uma evolução regulatória, na governança e na atuação dos órgãos de controle, especialmente o Tribunal de Contas da União. Mas chamou a atenção para a necessidade de fortalecimento das Agências Reguladoras e da agilização da liberação das licenças ambientais obrigatórias para cada projetos. “Os projetos estão mais bem estruturados e com a previsão de taxas de retorno mais realistas do que aquelas que havia antes de 2016”. 

  

AGILIDADE E INTEGRAÇÃO — Tadini também vê como positiva a estrutura e a gestão do Novo PAC e do programa Nova Indústria Brasil, mas destacou alguns aspectos que precisam ser observados. “É preciso criar estruturas e sistemas para acompanhamento dos projetos em andamento”, observou em relação ao Novo PAC. No que diz respeito ao Nova Indústria Brasil, é preciso “maior agilidade na integração das várias missões em andamento e no desenvolvimento de suas cadeias produtivas”. Ele elogiou, também, as iniciativas para devolver ao BNDES o papel de banco de fomento e a agilização de novos mecanismos de obtenção de fundos para investimento em projetos — inclusive de infraestrutura. 

Outro ponto importante é que, pela primeira vez na história do país, o crescimento vem sendo financiado com recursos privados, recursos públicos, inclusive por parte dos bancos de fomento, e do mercado de capitais — com as debêntures de infraestrutura e as debêntures incentivadas. Só dos fundos de pensão, há R$ 1,7 trilhão de patrimônio e mais R$ 700 bilhões das seguradoras. “Se 10% desses recursos forem destinados às debêntures, teremos mais um BNDES em volume de investimentos em infraestrutura”. Esta é a grande mudança. Não adiante ter grandes projetos se não tiver funding para isso. 

Na sequência, o diretor Roberto Guimarães fez um breve resumo do conteúdo do Livro Azul da Infraestrutura, que 495 novos projetos sendo estruturados com Capex de R$ 400 bilhões. Quase metade dos projetos são de responsabilidade do governo federal. Os restantes, pelos estados e municípios. O livro mostra aos interessados em investir o que vai acontecer nos próximos anos e facilita o processo de tomada de decisões. 

Do encontro também participou o presidente da Associação dos Grandes Consumidores Industriais de Energia e de Consumidores Livres — ABRACE—, Paulo Pedrosa, que falou sobre a Transição Energética e a Mudança de Foco, da Oferta para o Consumo de eletricidade.