Tenho recebido perguntas de leitores, querendo entender um pouco mais sobre esta gangorra no câmbio e nos juros e porque o Brasil convive com as maiores taxas de juros reais do planeta. Vou tentar explicar, simulando uma conversa entre mim e um Faria Limer padrão:
Eu: Vocês têm dito que a principal causa das elevadas taxas de juros no Brasil, há décadas, está no “fiscal”, pois o País gasta muito e o mercado cobra caro para financiar a dívida pública. É isso mesmo?
Faria Limer: Exatamente, é isto mesmo.
Eu: Então, por que de 1998 a 2013 tivemos superavit primário entre 1,5% e 3,5% do PIB e, mesmo assim, taxas de juros reais de 8,5% a 13%a.a.?
Faria Limer: Humm…. É que ainda faltavam as reformas estruturais.
Eu: Ora, naquele período, tivemos dezenas de reformas, como a criação das agências reguladoras, avanço das privatizações e concessões, lei dos portos, gás, resíduos sólidos, petróleo, saneamento, telecomunicações etc.
Faria Limer: Humm……
Eu: Outra pergunta então. A relação Dívida Líquida/PIB desabou de 60% para 30%, de 2002 a 2013. Por que a taxa de juro real ainda ficou acima de 8,0%? Não deveria ter caído?
Faria Limer: Humm……
Eu: Por que no período de maior descontrole fiscal (2015 a 2020), as taxas de juros reais caíram a 4,0% a.a.? Não deveriam ter subido?
Faria Limer: Humm……
Eu: Em 2024, o câmbio disparou, alcançando R$ 6,20/US$ 1,00? Por que o dólar subiu tanto?
Faria Limer: Porque o “fiscal” está muito ruim. Até o Banco Central escreveu isso.
Eu: Mas o “fiscal” em 2024 não foi tão ruim assim e foi melhor do que vocês mesmos previam.
Faria Limer: É verdade, mas……
Eu: Agora, o dólar caiu um pouco. Por quê?
Faria Limer: Por que as notícias vindas dos EUA quanto às tarifas de importação, inflação etc. não estão tão ruins.
Eu: Ué, a culpa do dólar alto não era do nosso “fiscal”?
Faria Limer: Humm……
Roberto Figueiredo Guimarães
Diretor da ABDIB e ex-Secretário do Tesouro Nacional

