Os termos inflação, taxa de juros, dívida pública, taxa de câmbio, risco, credibilidade, relação Dívida/PIB, resultado fiscal, EUA, China e protecionismo não sairão do noticiário econômico pelo menos nos próximos dois anos.
Hoje vou focar na inflação, que alcançou 4,83% em 2024, ultrapassando o limite superior da meta, que era de 4,50%.
Vejamos quais foram os vilões e os mocinhos da inflação em 2024. Os principais vilões foram azeite, óleo de soja, arroz, açúcar, acém, combustíveis, cigarro, ensino médio, joias e planos de saúde. Os principais mocinhos foram feijão carioca, farinha de trigo, batata, tomate, cebola, ovo de galinha, passagens aéreas, pneu e transporte público.
Observe que há vilões e mocinhos dentro das mesmas categorias, como alimentos, por exemplo, o que é explicado pela maior ou menor oferta de produtos.
Também há discrepâncias geográficas, no âmbito das dezesseis regiões metropolitanas pesquisadas. Em cinco delas – Recife, Vitória, Curitiba, Porto Alegre e Brasília -, a inflação ficou dentro da meta. A inflação foi maior em Campo Grande, São Luís, Goiânia e Belo Horizonte.
Isto quer dizer que a inflação não é igual para todos, pois depende da localização e dos hábitos de consumo de cada família. Mas uma coisa é certa, em maior ou menor grau, ela corrói o poder de compra do salário.
Precisamos trazer a inflação para a meta, mas não me parece que haja uma forte e generalizada pressão de demanda sobre os preços. Tivemos problemas com o clima e ainda mantemos uma inércia inflacionária alimentada pela indexação.
Ao invés de deixar este assunto apenas para o Banco Central, que vai querer jogar os juros nas alturas para segurar a demanda, devemos aproveitar o exemplo que veio do agro, como a expansão da área plantada de batata e cebola, por exemplo, e incentivar o aumento da oferta de bens e serviços na economia.
Roberto Figueiredo Guimarães
Diretor da ABDIB e ex-Secretário do Tesouro Nacional

