A ABDIB recebeu, na sexta-feira, dia 11 de outubro, a visita do presidente do Conselho de Administração do Banco do Nordeste do Brasil — BNB, Marcello Negro, acompanhado pelo diretor de Planejamento José Ademir Freire, pelo gerente do escritório do banco em São Paulo, Alan Andrade Luz e pelo Assessor Executivo da Presidência, Éverton Chaves Correia. Foram recebidos pelo presidente-executivo da ABDIB, Venilton Tadini, pelo diretor de Planejamento e Economia, Roberto Guimarães, e outros diretores da instituição. “Há muitas possibilidades de ações conjuntas e parcerias entre as duas instituições”, apontou Tadini.
Em sua fala, Negro destacou o trabalho que vem sendo desenvolvido pela atual diretoria no sentido de tornar o BNB mais conhecido no Sudeste e em outras regiões do país. De um modo geral, as outras regiões não dispõem de informações detalhadas sobre o potencial e as possibilidades do banco no financiamento de projetos — inclusive no setor de infraestrutura. Embora seja um banco, o BNB atua como o principal agente de desenvolvimento do Nordeste.
Hoje, 53,6% das operações de crédito do BNB estão concentradas no longo prazo. O Banco conta com um total de 5,7 milhões de clientes e dispõe de 294 agências, que atuam num total de 2074 municípios da região Nordeste, no norte de Minas Gerais e do Espírito Santo. Na visão do diretor de Planejamento José Ademir Freire, o atual momento vivido pelo país e pelo Nordeste é favorável à atuação de fomento bancário. “Hoje nós temos uma visão animadora da economia do Nordeste”, disse Freire.
O banco é o operador do Fundo Constitucional de Financiamento do Nordeste (FNE). No ano passado, o banco utilizou R$ 43,7 bilhões de recursos em empréstimos a projetos de desenvolvimento da região. Este ano, já foram repassados 29,6 bilhões. Além disso, o banco conta com recursos originários de captações e convênios em negociação com organismos multilaterais que somam R$ 8,52 bilhões.
DIVERSIFICAÇÃO — O BNB tem hoje suas ações integradas aos programas do Governo Federal, a exemplo do programa Nova Indústria Brasil, o Novo Programa de Aceleração do Crescimento, com forte apoio à microempresa e ao empreendedorismo. “O banco é o maior operador de microcrédito da América Latina”, observa Negro. As atenções, no entanto, também estão voltadas para as operações de desenvolvimento da região Nordeste. Na avaliação do banco, mais de 42% dos projetos incluídos no Novo PAC estão concentrados na região.
Entre os setores de infraestrutura que o banco considera promissores para suas operações estão as energias renováveis, o Hidrogênio Verde e o saneamento. Neste momento, uma das preocupações do BNB é com a diversificação de suas operações e a ampliação das cadeias produtivas locais — para que a região se beneficie dos índices de nacionalização previstos nos projetos de desenvolvimento do governo federal. “Queremos desconcentrar nossas operações em energia e nos voltar para o setor portuário, logística, saneamento, comunicações, aeroportos regionais, iluminação pública e outros setores”, afirmou Freire. Também estão entre as prioridades do BNB as obras de conclusão da ferrovia Transnordestina e outros projetos essenciais para o desenvolvimento da região.
O objetivo da reunião foi apresentar o BNB à ABDIB com a intenção de abrir o banco aos operadores de infraestrutura interessados em investir na região Nordeste — que responde por 14% do PIB brasileiro com 28% da população. “É preciso mudar essa relação”, apontou o assessor Everton Correa. “Um dos caminhos é mostrar a potencialidade da região para o setor de infraestrutura com o objetivo de sensibilizá-lo a investir no Nordeste”,
Os portos da região, por exemplo, oferecem boas oportunidades de investimentos. Modernizados, eles oferecerão a possibilidade de operar com navios de grande calado — o que desafogaria a operação dos portos do Sudeste e reduziria o custo das operações de exportação de grãos. Hoje, o maior item da pauta de exportações do Nordeste é a soja produzida na região conhecida como Mapiba — que inclui os estados nordestinos do Maranhão, do Piauí e da Bahia. Outra possibilidade é utilizar a enorme capacidade da região para a geração da energia renovável e atrair para o Nordeste os datacenters e outros consumidores intensivos de eletricidade.
Durante a reunião foram discutidos pontos de interesses comuns, como a educação corporativa, a aceleração e ampliação de investimentos por meio de Parcerias Público Privadas, a implementação de uma política de gestão de resíduos sólidos e outros temas. Na oportunidade o BNB demonstrou interesse em sediar evento de infraestrutura no Nordeste organizado pela ABDIB: “seria uma oportunidade importante de atrair a atenção para a infraestrutura do Nordeste”, afirmou Freire, Diretor de Planejamento do BNB.

