Dívida, juros e INSS 2

Alguns leitores demonstraram surpresa quando escrevi que a relação Dívida Líquida/PIB do Brasil passou de 30% em 1995 para 60% em 2002, voltou a 30% em 2013 e atingiu novamente...

Alguns leitores demonstraram surpresa quando escrevi que a relação Dívida Líquida/PIB do Brasil passou de 30% em 1995 para 60% em 2002, voltou a 30% em 2013 e atingiu novamente 60% em 2023 (números arredondados).

Se colocarmos estes valores num gráfico, teremos uma curva parecida com um serrote, gangorra ou montanha russa.  Vejamos as causas destes movimentos no numerador e denominador da relação, até para aprendermos com os erros e acertos do passado.

Na subida, de 30% para 60% (1995 a 2002): (I) no numerador, contribuíram positivamente o superávit primário médio de 1,5% do PIB e, negativamente, os juros reais acumulados de 175%, média de 13,5%a.a. (isto mesmo, não é erro de digitação); (II) no denominador, o PIB só cresceu 21% no período, média de 2,4%a.a.

Na descida, de 60% para 30% (2003 a 2013): (I) no numerador, contribuíram positivamente o superávit primário médio de 2,9% do PIB e, negativamente, os juros reais acumulados de 113%, média de 7,5%a.a.; (II) no denominador, o comportamento do PIB foi melhor, crescendo 50% no período, média de 3,8%a.a. 

Na nova subida, de 30% para 60%, (2014 a 2023): (I) no numerador, contribuíram negativamente o déficit primário médio de 1,9% do PIB e os juros reais acumulados de 37%, média de 3,1%a.a. (II) no denominador, contribuiu negativamente o crescimento do PIB de apenas 5,1%, média de 0,5%a.a.

Qualquer estudante do primeiro grau sabe que o quociente é o resultado da divisão de dois números. Para reduzir a relação Dívida/PIB, o denominador precisa crescer mais do que o numerador.

Pelas lições aprendidas dessa montanha russa, precisamos buscar um combo com juros baixos, resultado primário positivo e crescimento do PIB. É preciso mais investimentos em infraestrutura, pois contribuem para um menor numerador (via aumento de arrecadação, por exemplo) e um maior denominador (aumento do PIB).  

 

Roberto Figueiredo Guimarães

Diretor da ABDIB e ex-Secretário do Tesouro Nacional