O governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite, esteve na sede da ABDIB na sexta-feira, dia 13 de setembro, para receber o documento elaborado pelo Comitê de Engenharia da associação, com sugestões para reconstrução da infraestrutura do estado, destruída pelas chuvas e enchentes do primeiro semestre deste ano. De acordo com o documento, a reconstrução não é suficiente. É fundamental substituir as pontes, estradas, barragens, redes elétricas e outras obras de infraestrutura que não resistiram à força das águas por novas estruturas, mas resilientes e em condições de resistir aos eventos climáticos que deverão acontecer nos próximos anos. “Ao longo do último ano, tivemos dez eventos extremos relacionados com as mudanças climáticas, inclusive ciclones”, disse o governador. “Precisamos aprender a conviver com esse tipo de situação”.
“O trabalho propõe buscar para esses impactos soluções baseadas numa visão de longo prazo”, disse o presidente do Conselho de Administração da ABDIB, André Clark. “Aprender com o sofrimento causado pela tragédia é fundamental. Espero que a experiência do Rio Grande do Sul nos leve a uma infraestrutura de adaptação climática e nos ajude a desenvolver uma infraestrutura resiliente que nos prepare para as tragédias que estão por vir”, completou Clark. Além de Leite e Clark, a mesa da reunião foi ocupada pelo presidente-executivo da ABDIB, Venilton Tadini, e Karin Formigoni, CEO da Arcadis — uma das empresas que lideraram a elaboração do estudo.
O estudo entregue ao governo não propõe medidas de impacto imediato, destinadas a resolver os problemas emergenciais causados pela tragédia — que vêm sendo conduzidos pelos órgãos do governo gaúcho. A linha que orientou a elaboração do estudo foi a das medidas de longo prazo. “Precisamos aprender a prever e prevenir eventos como esse que o estado enfrentou”, diz Karin Formigoni. Além das empresas privadas que integram o Comitê de Engenharia, a elaboração do estudo contou com a participação do Instituto de Engenharia, do Sindicato Nacional da Indústria da Construção Pesada—SINOCON — e Associação Brasileira de Concessionárias de Energia — ABCE.
De acordo com o governador, o fato de o estado ter concedido rodovias, empresas de saneamento, de energia e outros serviços de infraestrutura à iniciativa privada ajudou a conferir agilidade à solução dos problemas emergenciais causados pelos fenômenos atípicos do primeiro semestre. “A resposta do poder público é, naturalmente, mais lenta do que a do setor privado no processo de tomada de decisões sobre investimentos emergenciais”, disse Leite.

