É impressionante como o Brasil está fora do mercado do turismo internacional (lazer, negócios, religioso, ecoturismo, etc.), que move trilhões de dólares e é responsável pela geração de renda e emprego no mundo inteiro.
Apesar do nosso clima, povo acolhedor, belezas naturais e caminhando para ser a oitava economia do planeta, recebemos cerca de apenas 6,8 milhões de turistas estrangeiros por ano, conta 100 milhões na França, 80 milhões na Espanha, 55 milhões na Turquia, 42 milhões no México e 30 milhões em Portugal, por exemplo. Barcelona, sozinha, recebe quatro vezes mais turistas que o Brasil.
Sediaremos este ano no Rio de Janeiro, o Forum Empresarial Global – B20 e, no ano que vem, a Conferência das Nações Unidas sobre as Mudanças Climáticas – COP30, em Belém. Temos infraestrutura para isto?
No Rio, observamos melhora na mobilidade urbana e no saneamento básico com os investimentos privados. Mas o Pará continua com um dos piores níveis de atendimento de água e esgoto do país.
Em que pese a melhoria substancial do saneamento básico da região Nordeste (polo importante de atração de turistas) em função do aumento de investimentos privados, ainda há elevado hiato de atendimento na região.
Estamos bem nos aeroportos, quase todos concedidos à iniciativa privada, mas há elevadas carências na mobilidade urbana, principalmente no transporte sobre trilhos (metrôs e trens). Há, igualmente, carências no transporte rodoviário, mas as rodovias concedidas têm trazido boas notícias nos quesitos qualidade e segurança.
Se aproveitarmos a enxurrada de projetos de infraestrutura em estruturação nos quatro cantos do país, as oportunidades decorrentes da transição energética e nossa geopolítica, teremos chances não só de aumentar nossa participação na cadeia produtiva mundial, mas também abocanhar fatia maior do mercado do turismo internacional.
Roberto Figueiredo Guimarães
Diretor da ABDIB e ex-Secretário do Tesouro Nacional

