A economia brasileira cresceu 2,9% em 2023. A inflação e o desemprego caíram e os juros estão no mesmo caminho. Nossas reservas internacionais estão em US$ 350 bilhões, valor suficientemente alto para garantir eventuais movimentos especulativos contra a moeda brasileira. A balança comercial está rodando com superávit de US$ 100 bilhões/ano. Os indicadores de risco Brasil (Credit Default Swap e EMBI+) estão se aproximando dos níveis mais baixos deste século.
Estamos com um novo arcabouço fiscal, a reforma tributária sobre o consumo avançou e uma nova política industrial está sendo desenhada. Há, hoje, mais de quinhentos novos projetos de infraestrutura em estruturação no País. Há divulgação de investimentos superlativos no setor produtivo, como montadoras de veículos e projetos de geração de energia solar e eólica.
O Brasil está bem na foto da transição energética, em função da sua matriz energética, já bastante limpa. O Congresso Nacional está avançando na discussão de Projetos de Lei que regulamentam o mercado de carbono, hidrogênio verde, combustível do futuro e eólicas offshore.
Também estamos bem no quesito financiamento externo, pois o Tesouro Nacional está emitindo com êxito títulos no exterior, com o objetivo de financiar projetos da transição energética.
Por outro lado, há pontos que merecem atenção, como os desempenhos dos investimentos e da indústria de transformação, que caíram em 2023, na esteira das elevadas taxas de juros, falta de políticas de incentivos e inovação e de incertezas em relação à economia nacional e internacional. Daí a importância da execução das medidas da nova política industrial, cujo êxito dependerá de muita articulação política e gestão técnica.
Por estas razões, podemos dizer que o copo está meio cheio, mas isto é muito pouco para resolver nossas elevadas desigualdades sociais e de renda.
Roberto Figueiredo Guimarães
Diretor da ABDIB e ex-Secretário do Tesouro Nacional

