
Meu artigo da semana passada, com título FISCAL NEM SEMPRE É O VILÃO, gerou dúvidas entre alguns leitores. Muitos perguntaram: Se não é o “fiscal”, quem é o vilão e responsável, então, pelas estruturalmente elevadas taxas de juros no Brasil?
Como não há uma resposta simples nem unânime para esta pergunta, cito o jornalista americano H. L. Mencken, que escreveu que “para todo problema complexo existe sempre uma solução simples, elegante e completamente errada.”
Não há um vilão, mas vilões que entram e saem de cena a cada momento.
Durante as últimas cinco décadas, passamos pela crise do endividamento externo e choque dos juros internacionais. Tivemos desequilíbrios fiscais elevados, reservas internacionais zeradas e chegamos à hiperinflação e moratória da dívida externa.
Conseguimos abrir a economia, melhorar (com idas e vindas) as contas públicas, implantamos programas de desestatização, matamos o dragão da inflação, saneamos o sistema financeiro (embora com muita concentração), avançamos muito no agronegócio e declinamos na indústria, acumulamos saldo invejável de reservas internacionais e observamos altos e baixos na harmonia entre os Poderes da República.
Tivemos idas e vindas na segurança jurídica de contratos, conseguimos melhorar um pouco o déficit da previdência social, fizemos uma reforma trabalhista, temos um novo arcabouço fiscal e iniciamos a reforma tributária. Mesmo assim, continuamos sendo um país que mantem o status quo, com privilégios de tudo que é lado.
Durante grande parte deste período, os juros foram elevados para compensar a valorização cambial, atrair capitais externos e até para segurar a inflação. E em muitos momentos, foram amplificados, sob a alegação, às vezes exagerada, da presença de risco na economia.
Os juros elevados viraram uma espécie de coringa, mesmo não sendo a principal carta a ser jogada.
Roberto Figueiredo Guimarães
Diretor da ABDIB e ex-Secretário do Tesouro Nacional

