Muitos leitores estão perguntando sobre os prováveis impactos na economia, com a expectativa de redução das taxas de juros no País.
Em primeiro lugar, ressalta-se que os impactos de uma redução na taxa Selic agora em agosto, provavelmente seguida de outras em meses subsequentes, não serão instantâneos e só serão sentidos, na verdade, de 2024 em diante. Não adianta reduzir os juros de 13,75% a.a. para 13,50% a.a., por exemplo. É preciso que os juros caiam para a casa de um dígito, para que investimentos privados, que carregam risco, sejam mais atrativos do que o porto seguro dos títulos públicos. E isto só vai acontecer ao longo do tempo. Mas é preciso começar logo. Aliás, já deveria ter começado.
Vejamos, então, os impactos esperados, pelos lados da oferta e da demanda.
Pela oferta, o investidor estará mais propenso a retirar seus recursos hoje aplicados em títulos públicos e investir no sistema produtivo, como expansão do parque industrial e infraestrutura. Aqui, já haverá aumento da demanda por bens e serviços e do emprego.
Pela demanda, além daquela gerada pelos novos investimentos, haverá aumento do consumo das famílias, que poderão adquirir mais bens e serviços.
É um círculo virtuoso, com aumento dos investimentos, renda e emprego. Para que esta engrenagem funcione, é preciso que o processo de redução de juros seja consistente e acompanhado de medidas que não piorem o ambiente de negócios, já melhor hoje, como demonstram os índices de risco do Brasil.
O caminho está na responsabilidade fiscal, reforma tributária e expansão das concessões e parcerias público-privadas na infraestrutura dos governos federal, estaduais e municipais.
Como não estamos tratando de uma ciência exata, é preciso manter e até mesmo melhorar as boas expectativas, via estabilidade de regras, segurança jurídica e fortalecimento das normas regulatórias.
Roberto Figueiredo Guimarães
Diretor da ABDIB e ex-Secretário do Tesouro Nacional
