Bancos centrais e juros

O noticiário econômico da semana passada, no mundo inteiro, foi dominado pelo debate sobre a atuação dos bancos centrais para reduzir a inflação via aumento das taxas juros, num ambiente...

O noticiário econômico da semana passada, no mundo inteiro, foi dominado pelo debate sobre a atuação dos bancos centrais para reduzir a inflação via aumento das taxas juros, num ambiente de queda de atividade econômica e de aumento da turbulência e do risco no mercado financeiro.

Na Europa, os juros subiram para 3,5% a.a., com inflação de 8,5% a.a. Nos EUA, os juros alcançaram 5,0% a.a., com inflação de 6% a.a. Na Inglaterra, os juros estão em 4,25% a.a. e a inflação em 10% a.a. Considerando a expectativa de inflação para os próximos 12 meses, os juros reais na Europa continuam negativos e nos EUA próximos de zero.

E no Brasil? O nosso banco central manteve a taxa de juros em 13,75% a.a. Como a expectativa de inflação é de 5,8% a.a., o juro real aqui está na casa de 7,5% a.a., o maior do mundo. Não há economia que cresça com isto.

É claro que precisamos de juro real positivo, pois a inflação, embora não seja predominantemente de excesso de demanda, está aí e precisa ser debelada. Mas os juros reais já poderiam estar na casa dos 5,5% a.a. e não em 7,5% a.a.

Alguns indicadores da nossa economia já justificariam a redução dos juros nominais. O PIB caiu no último trimestre do ano passado. A taxa de desemprego, após longo período de queda, voltou a subir. Montadoras de automóveis concederam férias coletivas aos funcionários em função da baixa demanda. Indústria e comercio varejista caindo.

Com relação à necessidade de um arcabouço fiscal crível, autoridades da área econômica já disseram que o caminho será alcançar um déficit primário da ordem de R$ 120 bilhões em 2023 e zerar o resultado em 2024, o que já é uma boa sinalização. E o Presidente da Câmara dos Deputados afirmou que o projeto terá o respaldo legislativo e poderá ser votado rapidamente.

As políticas monetária e fiscal precisam urgentemente caminhar na mesma direção. 

 

Roberto Figueiredo Guimarães

Diretor da ABDIB e ex-Secretário do Tesouro Nacional