As tarifas do setor elétrico ganharam destaque nos últimos dias no Brasil. O setor industrial reclama corretamente do custo da energia e, mais recentemente, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, apresentou a ideia de desindexá-las. Mesmo países que tem histórico de inflação baixa e estável estabelecem mecanismos que permitem atualizar o valor dos contratos de longo prazo. O objetivo é preservar a equação originalmente contratada.O custo elevado da energia é realmente um problema, fruto principalmente de uma combinação perversa de alta incidência dos tributos e de encargos setoriais, sustentação de sistemas isolados e despachos de fontes de energia de alto custo, tudo ainda vitaminado pelo problema do real valorizado. O modelo regulatório do setor optou por eleger índices de preços – IPCA e IGPM – para acompanhar a variação dos custos durante o período do contrato de concessão, de 30 e até 35 anos. Isso porque não encontramos indicadores que pudessem refletir com fidelidade as famílias heterogêneas de contratos do setor e também porque o principal custo está ligado às estruturas de financiamento que são, de forma direta ou indireta, vinculadas aos mesmos índices de preços.
