ABDIB NA IMPRENSA: Quais são os dilemas que o Brasil enfrenta para a transição energética?
A discussão sobre a transição energética brasileira rumo a uma economia de baixo carbono vai se acirrar nos próximos meses, com debates sobre a estratégia de descarbonização do país, a abertura de novas fronteiras de exploração de petróleo, fomento à indústria verde, quais setores devem obter subsídios e como será paga a conta. Reduzir o desmatamento, discutir a matriz energética e resolver questões logísticas serão essenciais para a redução das emissões ao longo dos próximos anos e o cumprimento do Acordo de Paris. Para André Clark, vice-presidente sênior da Siemens Energy para a América Latina e presidente do Conselho da Associação Brasileira da Indústria de Base (Abdib), o cenário ganhou uma camada extra de complexidade com a tragédia do Rio Grande do Sul tendo eco no Brasil e no exterior.
Tráfego maior puxa alta no total de acidentes em rodovias privadas
O número de acidentes em rodovias federais sob administração privada aumentou 5,8% entre 2018 e 2023 e diminuiu 6% em estradas sob gestão pública. Contudo, a maioria dos acidentes mais graves, com perda de vidas, continua sendo registrada em trechos geridos pelo governo. Os dados são oficiais e foram organizados pela Fundação Dom Cabral (FDC) por meio do Núcleo de Logística, Infraestrutura e Supply Chain. Nas rodovias concedidas, houve 28.845 acidentes em 2018, enquanto no ano passado o número subiu para 30.526, um aumento de 5,8%.
Vale busca investidor para a Aliança Energia
A Vale está em busca de um investidor para sua subsidiária de energia, a Aliança Energia, segundo apurou o Valor com fontes a par do assunto. A busca por um sócio ocorre quase três meses após a mineradora adquirir os 45% que pertenciam à Cemig por R$ 2,7 bilhões, depois de três anos de negociações. O valor total do ativo é estimado em R$ 6 bilhões. Pelo menos três grupos estariam interessados – CTG Brasil, Engie e Neoenergia -, segundo fontes. Uma pessoa do alto escalão da Vale confirmou a informação ao Valor e disse que “a companhia quer ‘pivotar’ a subsidiária de energia”, ou seja, mudar o negócio, com o novo investidor.
MP ‘salva’ concessão e viabiliza venda da Amazonas Energia
Medida Provisória editada pelo governo nesta quinta-feira (13) tenta salvar a distribuidora Amazonas Energia, que tem situação financeira insustentável, e viabilizar sua venda poucos dias após a Eletrobras ter negociado a companhia com a Âmbar, do grupo J&F. A MP 1.232 flexibiliza metas regulatórias e repassa custos aos demais consumidores de energia do país, via encargo na conta de luz. A proposta altera metas regulatórias para quatro itens: perdas não técnicas (furto de energia), corte de custos da Conta de Consumo de Combustíveis (CCC), inadimplência e custos operacionais. As regras diferenciadas para a empresa vão valer por três revisões tarifárias periódicas, ou 15 anos.
Mercado questiona ‘timing’ da Medida Provisória
A publicação nesta quinta-feira (13) da Medida Provisória (MP) que permite salvar a deficitária Amazonas Energia rapidamente gerou questionamentos no mercado. Apesar de bastante esperado, o que chamou atenção foi o seu “timing” em relação à venda de 13 térmicas da Eletrobras para a Âmbar Energia, braço de energia do grupo J&F, dos irmãos Batista. O negócio, de R$ 4,7 bilhões, foi anunciado na segunda-feira (10). A leitura, de fontes consultadas pelo Valor, foi de que a MP, se publicada antes da conclusão da operação, teria potencial para mudar o nível de competição pelos ativos, visto que mudaria os riscos que até então estavam embutidos na operação.
Governo edita medida para tentar salvar Amazonas Energia
O governo federal publicou, nesta quinta-feira, uma medida provisória voltada, principalmente, para socorrer a distribuidora de energia elétrica do Amazonas. Privatizada em 2018, a empresa passa por problemas financeiros e não conseguiu se desfazer de ativos para melhorar sua situação. Interlocutores do Ministério de Minas e Energia avaliam que a concessão só será viável se forem tomadas medidas que permitam o redesenho do contrato. A conclusão é que a Amazonas Energia precisaria de um novo controlador, é altamente deficitária e tem um débito de R$ 10 bilhões só com a Eletrobras.
O drama das empresas de tecnologia em busca de energia renovável nos EUA
As empresas de tecnologia estão tão desesperadas para construir enormes data centers nos EUA que estão pedindo à gigante da energia limpa NextEra Energy Inc. para encontrar locais com eletricidade suficiente para abastecer cidades inteiras. “Alguns nos procuraram e disseram: ‘Vocês podem nos mostrar locais que podem acomodar 5 gigawatts (GW) de demanda?’”, disse John Ketchum, CEO da NextEra, sediada na Flórida. “Esse é o volume de energia elétrica da cidade de Miami.” Ketchum não quis citar o nome das empresas.
BID avança em agenda para financiar sustentabilidade na Amazônia e atrai 46 instituições privadas
O Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) anunciou avanços na agenda do programa Amazonas Sempre, que pretende fomentar investimentos sustentáveis na região para enfrentar desafios climáticos, sociais e de desmatamento da região. O programa foi lançado no meio do ano passado. O anúncio foi feito durante o encontro Semana da Sustentabilidade do BID Invest, realizado em Manaus, com a presença de 900 pessoas de 37 países. Para a plateia, o presidente do BID, Ilan Goldfajn, reiterou que a América Latina e o Caribe têm oportunidade de ser parte da solução para os desafios da mudança climática global.
Enel no RJ é multada em mais de R$ 13 milhões pelo Ministério da Justiça
A Secretaria Nacional do Consumidor, que está vinculada ao Ministério da Justiça e Segurança Pública, decidiu aplicar uma multa de mais de R$ 13 milhões à Enel no Rio de Janeiro. O despacho foi publicado nesta sexta-feira (14) no Diário Oficial da União. De acordo com a pasta, a medida se dá por violações ao Código de Defesa do Consumidor, interrupção de serviço público essencial e demora em seu restabelecimento. A secretaria ainda afirma que a distribuidora de energia não atendeu “aos fins legitimamente esperados e às normas regulamentares”.
Uso de matriz elétrica limpa cai no Brasil, diz estudo
A matriz elétrica predominantemente hidráulica deu ao Brasil um lugar privilegiado na corrida pela transição energética ao colocar o país entre os que são mais limpos do que aqueles que queimam combustíveis fósseis para o mesmo fim. Essa predominância da energia limpa, porém, encolheu nos últimos anos. Estudo da Fiemg (Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais) mostra uma redução de 97% para 89% no percentual de fontes consideradas limpas desde 1995.
Antaq aprova concessão de hidrovia no Madeira
A Antaq (Agência Nacional de Transportes Aquaviários) aprovou nesta quinta (13) os estudos para a concessão da hidrovia do rio Madeira. A partir de agora, o Ministério de Portos e Aeroportos seguirá com os trâmites até a aprovação do edital do leilão. Como os cerca de 1.000 km do rio é navegável durante todo o ano, com um canal com profundidade de 3,5 metros, estima-se que o custo do frete caia mais de R$ 6 por tonelada.
BID vai emitir títulos para financiar projetos de sustentabilidade na Amazônia
O BID (Banco Interamericano de Desenvolvimento) vai lançar no segundo semestre deste ano um programa para a emissão do que vem sendo chamado de “bonds amazônicos”, títulos de dívida cujos recursos serão usados para financiar projetos sustentáveis na região. De acordo com a instituição, os papéis poderão ser captados pelos países com território na Amazônia e pelos próprios bancos multilaterais. Os planos para a criação do programa, que está sendo construído em parceria com o Banco Mundial, foram antecipados pelo presidente do BID, Ilan Goldfajn, nesta quinta-feira (13), durante a Semana de Sustentabilidade 2024, em Manaus. O encontro é organizado pelo BID Invest –braço de investimento do banco multilateral.

