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02

2017

Investimento em infraestrutura deve recuar para 1,5% do PIB

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A taxa de investimento em infraestrutura sobre o PIB deve recuar novamente – de 1,7% em 2016 para 1,5% em 2017, de acordo com levantamento recentemente realizado pela Abdib. Essa informação foi abordada por Igor Rocha, diretor de Planejamento e Economia da Abdib, em congresso de executivos financeiros do IBEF-SP, no dia 27 de setembro, em São Paulo.

Além de avaliar rapidamente o histórico e as perspectivas para a infraestrutura brasileira, o diretor da Abdib pontuou também que há espaço para mais investimento privado, pois a preparação dos projetos melhorou muito a partir da criação do Programa de Parcerias de Investimentos (PPI).

Outro fato promissor é que investidores têm estudado continuamente os projetos colocados à disposição. “Percebemos o quanto o PPI contribuiu para organizar a questão institucional e a racionalidade na escolha dos projetos”, disse Rocha. Ao explicar que a carteira de projetos atualmente é mais aderente às necessidades do país e ao interesse dos investidores, ele disse que as taxas de retorno estão mais atrativas – e os estudos com melhor qualidade.

O diretor da Abdib comparou o patamar de investimento em infraestrutura em relação ao PIB entre Brasil, China e outros países, avaliando diversas nações com características distintas na renda per capita, população e demais características – e o Brasil sempre está em desvantagem no indicador. “Percebemos que o Brasil precisa percorrer um longo caminho para engatar e ganhar velocidade no investimento em infraestrutura e adicionar competitividade à economia”, disse.

Além da expansão da participação privada, o diretor da Abdib também insistiu na urgência de ampliar investimentos públicos na infraestrutura. Isso se justifica, segundo ele, devido à quantidade significativa de ativos que ainda estão e devem permanecer sob gestão do Estado, pois apresentam pouca capacidade de gerar retorno ao investidor privado.

Entre propostas listadas, o diretor da Abdib enfatizou a necessidade de instituir no Brasil o financiamento de empreendimentos de infraestrutura pela modalidade de project finance non recourse como ocorre em outros países desenvolvidos e também na América Latina, como México, Colômbia e Chile.

Apesar de elogiar o movimento de queda da taxa de juros, defendeu uma redução mais célere. Diante da inflação baixa e da recessão nos últimos anos, Rocha disse que o movimento de diminuição da taxa de juros até o patamar atual foi desnecessariamente muito lento. “Juros altos não são efetivos para combater inflação causada por represamento de preços administrados, como era a do Brasil”, ponderou. “Não há inflação de demanda em situação recessiva”, concluiu.

O resultado da manutenção dos juros em nível mais elevado que o adequado foi um dispêndio exagerado com pagamento de juros da dívida – mais de R$ 500 bilhões em 2015 e novamente mais de R$ 400 bilhões em 2016. “Enquanto isso, cortamos investimentos públicos em infraestrutura”, disse, explicando que é exatamente este tipo de gasto que ajuda a gerar emprego e tirar o país da crise econômica.