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3 de maio de 2012

Financiamento de projetos cresce 88% no Brasil em 2011

A desaceleração econômica global não foi suficiente para frear o crescimento dos recursos destinados aos financiamentos de projetos (“project finance”), que chegaram a US$ 405,5 bilhões no ano passado. A cifra, além de representar um avanço de 13% na comparação com 2010, é também o maior volume já registrado globalmente, segundo estudo da Dealogic. Os dados consideramos project Finance puros, ou seja, aqueles em que há a constituição de uma sociedade de propósito específico (SPE), segregada da empresa ou consórcio responsável pela execução do projeto. Essa estrutura será a garantia do financiamento, incluindo aí a geração futura de receitas. No ranking dos países com maior utilização dessa modalidade de financiamento, em geral destinada a grandes projetos de infraestrutura, oBrasil ocupa a décima colocação,comUS$11,95 bilhõesem financiamentos de projeto em 2011, um avanço de 88%. É também de um país emergente a liderança. A Índia contou com 227 operações em 2011 que somaram R$ 87,74 bilhões, uma expansão de 9%. Para atender toda a necessidade de investimento, a principal fonte de recursos é o empréstimo bancário, com fatia de 80,8% do total, seguido por participação acionária (15,4%) e títulos de dívida (3,8%). Nesse ranking, quem lidera é o State Bank of India, que no ano passado concedeu US$ 30,4 bilhões em empréstimos para financiamentos de projetos. Não há a classificação das fontes de recursos mais utilizadas no Brasil, mas os profissionais que atuam nessa área são categóricos em afirmar que o principal agente financiador é o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) – na concessão direta ou por repasses efetuados por outras instituições. “É até possível fazer uma mescla com outras fontes, mas o BNDES tem uma participação importante”, afirma o diretor de mercado de crédito do Santander, Eduardo Müller. Até a liberação dos recursos do BNDES, explica Muller, os bancos costumam fazer empréstimos ponte, mas o desembolso direto durante toda a execução é raro devido ao longo prazo dematuração dos projetos de infraestrutura. Aexceção, segundo o executivo, tem se dado nas SPEs que possuem receita em dólar ou em que os investimentos serão feitos no exterior. É o caso da área de óleo e gás, em que os projetos de financiamento envolveram a tomada de recursos no exterior com a utilização de empréstimos sindicalizados, em que cada instituição participante concede uma parcela dos recursos. “Fizemos isso para projetos da Queiroz Galvão e da OGX”, diz. Müller afirma que é difícil prever qual vai ser o volume de financiamentos de projetos no Brasil em 2012. “Mas com certeza vai crescer”, diz, lembrando as necessidades de investimento para a realização da Copa, Olimpíada e privatização de aeroportos, entre outros setores. O diretor gerente de financiamentos de projetos do BES Investimento, Alan Fernandes, também aposta em uma expansão. “Há uma tendência de crescimento muito forte nos próximos anos por conta das necessidades de infraestrutura no Brasil”, afirma.

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