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19 de julho de 2010

Estudar com Autonomia

O 17º Educador- Congresso Internacional de Educação, realizado em maio, apresentou a palestra sob o tema Os segredos da Educação na Finlândia, com Reijo Laukkanen, professor do International Education Policy, na Universidade de Tampere. Ele colocou que a avaliação no país é olhada como um todo, sem classificar os melhores cursos, e as escolas respondem direto e ao município e aos alunos e “não ao MEC”. O tamanho da classe varia dia a dia, dependendo de questões pedagógicas, acompanhando aluno por aluno. Assim ,os alunos querem ser professores, pois é a melhor carreira na Finlândia, pois estes são respeitados e têm liberdade e autonomia em suas atividades. “Os professores usam muito a intuição e não há inspeção escolar desde a década de 70”, afirma Laukkanen.

O objetivo da educação é nacional, mas o professor tem liberdade para fazer o que quiser; qualquer cidade que o aluno escolher para estudar desde a Lapônia até a capital ,ele terá acesso a uma boa educação, pois esta é de alto nível com excelentes professores.

Os alunos aprendem também religião – conhecer as crenças dos demais – artes – para se expressar – e matérias operacionais – para aprofundamento dos conhecimentos, tornando-se bons e equilibrados cidadãos. Os alunos aprendem a lidar com a globalização e com pessoas diferentes.

O professor também afirma que,como em outros países do mundo , “há muita tecnologia na área educacional da Finlândia, porém os professores não sabem usá-la de forma eficaz na sala de aula.”

PHILIPPE PERRENOUD

O sociólogo, especialista em currículo, práticas pedagógicas e formação de professores e professor na Universidade de Genebra, Suíça, destacou , sob o tema As Competências da Formação de Professores, que formar educadores é prepará-los para enfrentar as situações de trabalho que os aguardam. O professor precisa das competências de emoção, sentimentos e empatia para lidar com os alunos. O professor competente atua na sala de aula rapidamente sem pensar, quase que por mágica.

Por outro lado, definir competências, para Perrenoud, não é fácil, contudo elas devem preparar o aluno para o futuro e considerar as evoluções recentes em termos de tecnologia, em função da evolução dos saberes e da divisão do trabalho. “Um professor que ministra sempre a mesma aula não desenvolveu a competência da inovação”, diz o sociólogo.

Para Perrenoud, devemos nos dotar de novos meios para identificarmos as competências necessárias para o educador de amanhã que deve ser um ativo interlocutor . Hoje a formação do professor é muito ideológica e normatizada. Dominar situações no trabalho e fora dele , o uso das tecnologias, que transformam o trabalho e a vida cotidiana, a discussão que só o diploma não adianta, o importante é a competência no trabalho, são temas ainda abertos ao debate na área de educação.

A cultura da avaliação e da eficácia invade o mundo educacional, mas o professor ainda está livre disso. Tanto no mundo do trabalho como no mundo escolar, em todas as esferas da existência são exigidos novos desempenhos, novas condutas e novas competências. Será que escola não precisa desenvolver competências? Não há objetivos claros na educação . Os professores têm medo de mudar por isso. Como submeter a escola ao mundo do trabalho? O que a escola quer dizer com competências? Ela ainda não sabe.

Portanto, devemos nos dotar de novos meios para identificarmos as competências necessárias para o educador de amanhã. As reformas curriculares , de acordo com Perrenoud, entram em contradição com os conhecimentos e com a cultura e suscitam questões como: quem, prioritariamente, tira proveito dessas reformas? Quais são as suas implicações no trabalho e na formação dos professores? Como essas questões não foram colocadas nem debatidas, não é de se surpreender que uma parte dos professores resista a mudanças em sua sala de aula.

O que faltam nos currículos são elementos como felicidade (fazer amigos, seduzir, agradar ter êxito com o parceiro); Direito (não aprendemos nada sobre isso); fenômenos tecnológicos e conceitos de globalização, Economia e Psicologia, entre outros que precisamos para nos preparar para o mundo. “As pessoas precisam saber como são as coisas da vida, pois o currículo da escola está defasado em relação ao currículo da vida. Se a escola formar ignorantes, haverá um mundo de ignorantes”, finaliza o especialista.

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