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19 de dezembro de 2008

Energia Eólica: Fonte de energia e emprego

Com o tema Cenário Mundial de Energia Eólica e as Projeções em Longo Prazo, Sergio Marques, presidente da Bioenergy, iniciou o Seminário sobre Energia Eólica, que aconteceu no mês de novembro, colocando que, entre 2000 e 2007, 47GW desse parque foi implantado na Europa, 50% da capacidade instalada no Brasil. Na Espanha, a produção cresce 27% ao ano desde 2001, enquanto na Alemanha já atingiu uma capacidade de 31,2% ao ano.

Na Europa, como um todo, a energia eólica cresceu 25% ao ano, entre 2000 e 2007; nos Estados Unidos, 17%; na Espanha, 15.5%; na China, 5,3%; na Índia, 7.5%; na França , 2,1%; no Reino Unido, 2,1% ; em Portugal, 1,8%; na Itália, 2,3% e na Dinamarca, 2,9%.

Para Marques, segundo a Associação Mundial de Energia Eólica,105 bilhões de euros foram investidos em 2008 nessa energia, sendo que a China já projeta 50.000 MW instalados até 2030. No mundo, serão investidos 347 bilhões de euros até 2020. Para o Brasil, a previsão de potência instalada é de 5.000 MW até 2030 em contraponto à Índia, que terá 42.000 MW no mesmo ano.

“A Energia Eólica deve ser complementar à energia termoelétrica e compor 20% da matriz energética brasileira”, diz Marques, lembrando que nessa matriz a energia eólica hoje contribui apenas com 0,2%, contra 9.6% do gás e 2,3% da energia nuclear. A projeção de crescimento de carga prevê mais de 60% para as regiões sudeste e centro-oeste , 17% para o sul , 13% para o nordeste e mais de 7%, para o norte. E finaliza: “Conjugar todas as fontes de energia é o caminho para o Brasil crescer nessa área”.

Promovido pelo Canal Executivo, o seminário de Energia Eólica contou também com a presença de Alexandre Pereira, diretor da ProVentos e pesquisador do Grupo de Energia da Escola Politécnica/USP, que destacou, principalmente, a metodologia do Atlas Eólico, num processo que vai desde a identificação da área, a campanha de medição, o mapeamento até a elaboração do próprio atlas.

Já o coordenador de Energia e Comunicações do governo do Ceará, Renato Walter Rolim Ribeiro, salientou que as premissas da política energética brasileira devem ser respeitadas, entre elas, a promoção da universalização do acesso da energia elétrica no Brasil e a inserção de fontes limpas, encorajando o uso eficiente de energia, sem agredir o meio ambiente. Além disso, “O potencial pela força dos ventos é de 75GW no nordeste brasileiro, levando-se em conta que a energia eólica evita a geração com derivados de petróleo, que é 3 vezes mais cara e inamistosa”, disse Ribeiro. Há vários problemas no setor (eólico) que são: a dificuldade de encontrar fornecedor, que atenda às condições de preço e prazo, inexistência de uma cadeia produtiva do segmento eólico, descontinuidade de médio e longo prazos para um programa de energia gerada a partir da fonte eólica, preços elevados, índice de nacionalização de apenas 60% como dificuldade de aquisição dos 40% importados, a distância entre os terrenos das usinas e o ponto de conexão, a emissão de licenças ambientais e construção de linhas de transmissão e subestações coletoras nas regiões de potencial eólico.

Por outro lado, os benefícios, enfatiza Rolim, da energia eólica são: complementariedade dos ventos com o ciclo das chuvas, complemento à energia hidrelétrica, redução do aquecimento global e da chuva ácida. Também pode se economizar 2,1 bilhões de m3 de água ao ano, trazendo mais harmonia com o ambiente, geração de mais emprego na implantação e na manutenção da energia eólica.

Para Hugo S. de Souza, diretor da área energética de geração da EDP-Energias do Brasil, mais de 6% dos empreendimentos em construção no Brasil são provenientes de fonte eólica, crescendo anualmente em torno de 28% na Europa, Ásia e EUA. Para o diretor, o desenvolvimento da indústria eólica no Brasil depende de alguns fatores como: o estabelecimento de uma política de governo de longo prazo para a inserção da fonte eólica na matriz energética, definição de um patamar de MW a ser contratado por leilões, realização de leilões específicos de fonte eólica para atender parcialmente às demandas das distribuidoras, definição de regras mais severas para os empreendedores que não implantarem os projetos, condições específicas de financiamento para projetos eólicos, agilidade no processo de licenciamento ambiental, condições para importação de equipamentos até a consolidação da indústria.

Segundo Alexandre H. Lisboa, vice-presidente da Cemig (MG), existem mitos sobre as fontes alternativas e renováveis de energia considerando-as fontes limpas, por exemplo, ou dizendo que elas são caras. Para ele também é preciso estudar a viabilidade do empreendimento eólico, levando-se em conta a conjuntura econômica, o quadro político, o risco do país ou do negócio, a quantidade de crédito, a estabilidade da legislação e regulação específica, a presença de subsídios e incentivos fiscais e a existência de política de longo prazo. Para Lisboa, existem barreiras ao avanço da energia eólica na matriz energética do Brasil como: matriz elétrica de base hídrica, relativamente barata e em expansão, baixa nacionalização da industria eólica, armazenamento hidráulico garantido até 2010, resultando em sobra de energia, custo de geração precisando de redução para uma competição autônoma, falta de uma regulamentação sólida e de longo prazo.

Concluindo, a energia eólica manterá ainda uma alta taxa de crescimento, porém inferior a 30% ao ano, mesmo mantidos os atuais incentivos dos governos alemão e americano, ressaltando-se que a China e os EUA serão lideres na a expansão dos novos parques eólicos. Além disso, a indústria de equipamentos eólicos e solares representa uma das grandes fontes de emprego industrial desse novo século.

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