BANCOS CENTRAIS E JUROS 2

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Tenho visto entrevistas e artigos falando que os Bancos Centrais, aqui e mundo afora, não sabem muito bem o que fazer com a política monetária, pois os modelos usualmente utilizados para estimar a taxa de juros, inflação, produção e emprego, dentre outros, perderam um pouco a efetividade com os desarranjos causados pela crise da Covid-19 e guerra Rússia-Ucrânia.

Escutei dirigente de Banco Central dizendo que, apesar da autoridade monetária ser, talvez, o órgão público que mais detém informações sobre a economia, eles ficam, a cada dia, esperando a divulgação de novas estatísticas para subsidiar as decisões dos rumos da política monetária. Ou seja, o assunto ficou muito mais micro do que macroeconômico.

Dito de outra forma. Como ficou mais difícil fazer o pente fino, na dúvida, os Bancos Centrais ficaram mais conservadores e estão pensando mais na hora de decidir, no mundo inteiro, a velocidade de redução das taxas de juros.

O Brasil continua tendo uma das maiores taxas de juros reais do mundo, o que, inexoravelmente, aumenta o custo da dívida pública e freia qualquer tentativa de retomada do crescimento econômico. Haja superávit primário para compensar o custo da dívida pública com estas taxas de juros!!!

O pessoal do nosso Banco Central deve estar parecendo uma biruta numa área descampada com ventos de tudo que é direção, pois, de um lado, a inflação de março desabou, a inflação da construção civil também está mais baixa, o volume de serviços e a produção industrial estão caindo neste ano, o que sugere o aumento da velocidade da queda dos juros. Por outro, os dados do comercio varejista vieram surpreendentemente positivos e os juros nos EUA ainda estão altos, o que sugere mais cautela no movimento.

A resultante é que os juros podem cair mais, para incentivar investimentos na indústria e infraestrutura e alavancar nosso PIB.

 

 

Roberto Figueiredo Guimarães

Diretor da ABDIB e ex-Secretário do Tesouro Nacional