INFRAESTRUTURA E EMPREGO

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Pesquisa do Fundo Monetário Internacional – FMI, realizada com base em dados obtidos em cerca de 5.600 empresas em 41 países, abrangendo duas décadas, mostra os impactos dos investimentos públicos em infraestrutura sobre o emprego.

Os resultados confirmam que investimentos em infraestrutura, principalmente nos países de baixa renda e emergentes (como o Brasil), multiplicam renda e emprego.

Segundo a pesquisa, cada US$ 1,0 milhão investido em infraestrutura pode criar até 35 novos empregos no saneamento básico e cerca de 23 em energia, rodovias, escolas e hospitais.

Podemos combinar estes resultados com as estimativas de novos investimentos privados em infraestrutura constantes do Livro Azul da Infraestrutura, da ABDIB. Estão no radar mais de 500 novos projetos de concessão e parcerias público privadas nos quatro cantos do País, com cerca de R$ 830 bilhões (US$ 168 bilhões) em novos investimentos em todos os setores da infraestrutura (aeroportos, ferrovias, energia elétrica, infra administrativa e social, mobilidade urbana, portos, rodovias, saneamento, etc.) exceto óleo e gás.

Ponderando a quantidade de emprego por setor, chegamos ao número de 4 milhões de novos empregos. Não é possível precisar o prazo destes investimentos, mas se utilizarmos o período de dez anos, estaremos com uma boa estimativa, o que indica a possibilidade de criação de até 400 mil novos empregos por ano.

Este é mais um indicador que mostra a importância dos investimentos em infraestrutura para ajudar a colocar o País numa nova trajetória de crescimento econômico.

Além destes investimentos privados, é preciso, também, melhorar a qualidade dos gastos públicos, abrindo espaço para o aumento dos investimentos públicos em infraestrutura, notadamente em projetos disruptivos e estruturantes e na manutenção dos ativos ainda não concedidos à iniciativa privada.

 

Roberto Figueiredo Guimarães

Diretor da ABDIB e ex-Secretário do Tesouro Nacional