DUCENTÉSIMO

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Este é o ducentésimo artigo que produzo neste espaço desde o início da pandemia da Covid-19 em março/2020. Nestes quase quatro anos, muita coisa aconteceu na economia. Vejamos um resumo deste período e algumas perspectivas.

Com o isolamento social iniciado em 2020, o País precisou sustentar a demanda, executou políticas de transferência de renda aos mais necessitados e injetou liquidez na economia. As políticas monetária e fiscal foram extremamente expansionistas.

O ano de 2021 foi marcado pelo início da vacinação e da flexibilização dos negócios e, nesta esteira, veio a inflação e a elevação das taxas de juros. Tivemos, também, a aprovação da independência do Banco Central. Iniciamos 2022 num cenário não muito promissor em termos de crescimento econômico, o que foi agravado pela guerra Rússia-Ucrânia.

Em consequência das alterações verificadas nas cadeias de produção no mundo todo, tivemos o recrudescimento da inflação e o Banco Central manteve a política monetária cada vez mais restritiva.

Tivemos em 2022 eleições polarizadas e a agenda de reformas do Congresso Nacional ficou praticamente paralisada. Veio 2023 e com ele um novo arcabouço fiscal, a aprovação da reforma tributária sobre o consumo e o aprofundamento das discussões acerca da sustentabilidade e transição energética.

Nestes quatro anos, tivemos altos e baixos no ambiente de negócios e a economia cresceu 7,5%, com bom desempenho dos setores exportadores de commodities e comportamento pífio dos investimentos e da indústria de transformação.

Iniciamos 2024 com o lançamento de uma nova política industrial e ruídos nas relações entre os Poderes. Teremos eleições e há uma crescente discussão sobre o papel dos orçamentos públicos. Tomara que estas discussões cheguem a propostas de reformas que tragam de volta o planejamento e a melhoria da qualidade dos gastos públicos. 

 

Roberto Figueiredo Guimarães

Diretor da ABDIB e ex-Secretário do Tesouro Nacional