PECAR POR EXCESSO CUSTA CARO

163

Após a publicação do último artigo ÍNDICE DE GINI, recebi diversas manifestações de leitores igualmente estarrecidos com a posição do Brasil no quesito distribuição de renda. Um deles escreveu que estamos mais ou menos na mesma posição no ranking mundial tanto do PIB quanto da desigualdade de renda, ali entre a oitava e nona posição. É triste.

Outro leitor perguntou se as elevadas taxas de juros praticadas no Brasil contribuem para piorar a nossa concentração de renda. É claro que contribuem, pois nada mais são do que remuneração dos ativos financeiros, concentrados na população de mais alta renda.

Aqui, cabe comentários: (i) Inflação elevada piora a distribuição de renda; (ii) Reduzir a inflação ajuda a atenuar as desigualdades; (iii) Juros elevados são necessários para reduzir a inflação, principalmente em momentos de excesso de demanda sobre a oferta de bens e serviços; (iv) Por outro lado, juros elevados também inibem os negócios e o emprego, piorando a distribuição de renda.

Por estas razões, a fixação da taxa de juros pelos Bancos Centrais precisa ser cirúrgica. Se faltar juros, sobra inflação e se sobrar juros, falta renda às camadas mais pobres da população e contribui para a concentração de renda.

É exatamente por isto que não concordo com as afirmações de que os Bancos Centrais precisam pecar por excesso, pois, quando o fazem, fixando a taxa de juros acima do que seria necessário para equilibrar inflação, emprego e renda, não estão contribuindo para reduzir as desigualdades de renda.

Muitos analistas, com os quais concordo, já estão admitindo, com atraso, é verdade, que nosso Banco Central, ao elevar as taxas de juros a 13,75% a.a., pecou por excesso. Em 2023, o Governo Geral (União, Estados e Municípios) gastou com juros cerca de R$ 800 bilhões. Se não fosse o pecado, poderíamos ter economizado uns R$ 100 bilhões.

 

Roberto Figueiredo Guimarães

Diretor da ABDIB e ex-Secretário do Tesouro Nacional