ÍNDICE DE GINI

2882

Todos sabemos que o Brasil é um dos países mais desiguais do mundo, mas fiquei estarrecido ao analisar as informações mais recentes sobre as desigualdades de renda aqui e no mundo, a partir de dados divulgados pelo Banco Mundial e pelo site countryeconomy.com.

A metodologia comumente utilizada para medir as desigualdades de renda (concentração de renda) é o Índice de Gini (ou Coeficiente de Gini), que, a partir de algumas contas, chega a um indicador, que varia de zero a um. Quanto mais perto de zero, menos desigual é o País ou o grupo considerado. Nosso prestigiado IBGE calcula o Índice de Gini no Brasil.

Vamos a alguns números. O Brasil possui o índice 0,529. Este é o oitavo pior resultado de um grupo de 168 países. Ganhamos apenas de Botsuana, Belize, Suazilândia, Zâmbia, Suriname, Namíbia e África do Sul. Os países menos desiguais, com índice variando entre 0,21 e 0,26 são Eslováquia, Eslovênia, Islândia, Bielorrússia, Bélgica, Ucrânia, Moldávia, Emirados Árabes Unidos e Polônia.

Os principais países da Europa, Japão, Índia, Coréia do Sul, China e Canada estão com índices entre 0,28 e 0,35. Os EUA estão com 0,40. Argentina, Peru, Uruguai e Bolívia estão na casa de 0,41. Chile, México e Venezuela, na casa de 0,45.

A concentração de renda no Brasil, além de elevada, é mais desigual entre as regiões, com pior resultado no Nordeste e melhor no Sul.

A boa notícia é que estamos melhorando, pois já tivemos índice de 0,633, lá em 1989. Políticas públicas de transferência de renda aos mais necessitados têm sido fundamentais para esta melhora que, é claro, está muito longe do que precisamos.

Da mesma forma como ocorre com a inflação e o resultado fiscal, por exemplo, o Congresso Nacional poderia estabelecer metas para a redução do Índice de Gini, a serem alcançadas através da execução de políticas públicas de médio e longo prazos.

 

Roberto Figueiredo Guimarães

Diretor da ABDIB e ex-Secretário do Tesouro Nacional