PIB III TRIMESTRE 2023

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Na semana passada o IBGE divulgou os dados do comportamento da economia no terceiro trimestre do ano (III TRI/23). Há boas e más notícias. Na verdade, há também uma péssima notícia. Como já esperado, o PIB do III TRI/23 cresceu apenas 0,1% sobre o II TRI/23.

Agora no III TRI/23 em relação ao II TRI/23: pelo lado da oferta, o agro caiu 3,3%, a indústria subiu 0,6% e os serviços cresceram 0,6%. Pela demanda, o consumo das famílias e do governo cresceu 1,1% e 0,5%, respectivamente. A indústria de transformação subiu 0,6% e os investimentos desabaram 2,5%.

No acumulado em 2023, comparando-se com o mesmo período de 2022: O PIB cresceu 3,2%, o agro 18,1%, a indústria 1,2%, os serviços 2,6%, o consumo das famílias e do governo 3,4% e 1,2%, respectivamente. A indústria de transformação caiu 1,6% e os investimentos caíram 2,5%. A contribuição do setor externo continua positiva, tanto na comparação trimestral como no acumulado no ano.

A boa notícia é que as políticas de transferência de renda, os serviços, o comércio exterior e o agro estão sustentando o PIB. A má é que a economia está mais fraca, principalmente na construção civil e na indústria de transformação.

A péssima notícia está nos investimentos, que continuam caindo, o que vai comprometer o comportamento futuro dos negócios. 

Nossos investimentos, que deveriam estar acima de 21% do PIB, como ocorreu de 2010 a 2013, vai fechar 2023 na casa dos 16,7%. Isto quer dizer que precisamos aumentar os investimentos em cerca de 25%, o que corresponde a R$ 470 bilhões adicionais por ano. Não há dúvida de que os juros elevados estão contribuindo para este comportamento e que o início da trajetória de queda demorou muito.

Se não aumentarmos os investimentos, mola propulsora da inovação e do aumento da produtividade, continuaremos no marasmo do crescimento e na armadilha de país de renda média.

 

Roberto Figueiredo Guimarães

Diretor da ABDIB e ex-Secretário do Tesouro Nacional