DIVERSIDADE E INCLUSÃO

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O terceiro e último painel do primeiro dia do evento, foi moderado pelo coordenador do Comitê de Diversidade e Inclusão da ABDIB, Sérgio Garcia, e discutiu o tratamento das questões relacionadas com as políticas de igualdade racial e de respeito aos direitos das pessoas LGBTQIA+ no âmbito das empresas de infraestrutura. As apresentações foram feitas por Márcia Lima, Secretária de Políticas de Ações Afirmativas, Combate e Superação do Racismo do Ministério da Igualdade Racial e Danielle da Silva Santa Brígida, Diretora de Proteção da População LGBTQIA+ da Secretaria Nacional dos Direitos das Pessoas LGBTQIA+ do Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania.

Na abertura, Garcia chamou a atenção para a importância que o tema está ganhando na ABDIB. “Não há mais condição de conviver com os efeitos nefastos da exclusão nem de deixar de aproveitar os efeitos positivos da inclusão para as empresas, para os países e para as pessoas” disse. Na visão de Garcia, as empresas precisam avançar na direção de políticas que reduzam a distância salarial entre brancos e pretos e da abertura de oportunidades que as impedem de aproveitar o talento de colaboradores LGBTQIA+ em seus quadros.

POLÍTICAS AFIRMATIVAS — Márcia Lima abriu sua apresentação observando que o Brasil conta com uma boa série histórica de dados no que diz respeito à população negra e parda e que isso facilita a elaboração de políticas afirmativas para o setor. “O uso da categoria ‘pardo’ nas estíticas brasileiras já tem mais de 150 anos”. Uma das missões da secretaria é elaborar uma política de inclusão para o próprio serviço público federal — com a meta de que pessoas negras ocupem pelo menos 30% dos cargos comissionados nos próximos anos. 

“Isso é uma meta, não uma reserva de vagas”. Segundo ela, as políticas de inclusão precisam vir acompanhadas de medidas que promovam a integração das pessoas negras dentro do ambiente de trabalho. Na visão de Márcia, não adianta abrir espaço para essas pessoas nas organizações e, uma vez lá dentro, mantê-las agrupadas e segregadas num setor específico. 

No caso do serviço público federal, houve um recadastramento do funcionalismo com base nas categorias definidas pelo IBGE. A partir daí, serão avaliados os órgãos que contam com uma menor quantidade de pessoas negras e a definidos Os critérios para a equalização do número com os demais órgãos.  “Cada órgão do governo definirá suas políticas de inclusão e de integração com base integração com base nos critérios definidos pela secretaria. 

No que diz respeito ao setor privado, a secretária lembrou que as políticas de inclusão não podem ser orientadas pelo “modismo” que volta e meia domina o ambiente dos recursos humanos. É preciso atacar de frente a questão do preconceito e abrir espaço para as pessoas negras no processo de tomada de decisões estratégicas e na administração dos grandes orçamentos. Também é preciso lembrar sempre que, quanto mais elevado o nível de escolaridade da pessoa negra, maior é a diferença de salários e de oportunidades em relação às pessoas brancas na mesma função. 

 

SUPERAR O PRECONCEITO — Danielle da Silva Santa Brígida, observou que uma das maiores dificuldades para a elaboração de políticas de inclusão é a dificuldade de contabilizar a quantidade de pessoas desse segmento na sociedade. A secretaria da qual participa, segundo ela, é uma estrutura inédita na administração pública brasileira e até em âmbito internacional. Uma das tarefas do órgão, segundo ela, é “superar as condições de vulnerabilidade, de risco e da violência que cerca essa população”. 

Para se chegar a isso, é preciso enfrentar o problema da violência que cerca essa população, aumentar a empregabilidade e garantir o acesso ao emprego e à renda. “A divisão sexual do trabalho acaba impactando mais as pessoas LHGBTQIA+ do que as pessoas cisgênero na mesma profissão. Nas pesquisas conduzidas pela secretaria houve o registro do caso de uma mulher lésbica que trabalhava como ajudante de pedreiro numa obra e, embora com o mesmo desempenho, tinha um salário menor do que o dos colegas homens que exerciam a mesma função. “A única explicação para isso é o preconceito”

 

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