PROTAGONISMO COMPARTILHADO

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Lá nos anos 60 e 70 do século passado, na esteira de planos de desenvolvimento, época do milagre econômico, a economia brasileira teve crescimento padrão chinês, com protagonismo dos investimentos das empresas estatais federais.

De lá para cá, estivemos muito ocupados, tentando resolver nossos graves problemas, como hiperinflação, desequilíbrios fiscais em todas as esferas de governo (União, Estados e Municípios), saneamento do setor financeiro público e privado, abertura da economia, reforma patrimonial (desestatização), reforma da previdência e trabalhista, etc.

Não demos a devida atenção ao crescimento econômico estrutural. Desindustrializamos nossa economia, com juros e tributação extremamente elevados, além de períodos com forte valorização cambial.

Nos últimos quarenta anos, tivemos soluços de crescimento ou, como dizem, apenas voos de galinha. A casa ainda não está arrumada.

Melhoramos muito no quesito regulação no âmbito das concessões de serviços públicos de infraestrutura econômica e social. Ainda é possível melhorar e precisamos evitar os retrocessos, mas temos hoje matrizes de risco mais bem equilibradas, melhor ambiente regulatório e maior entendimento de todo o processo por parte dos agentes envolvidos (poderes concedentes, concessionárias, usuários e órgãos de regulação, fiscalização e controle).

Atualmente, além dos federais, há centenas de novos projetos de concessão de infraestrutura nos quatro cantos do país, sob a responsabilidade de governos estaduais e municipais, que logo estarão na rua. 

A grande e boa diferença é que agora o protagonismo não será das empresas estatais federais, mas do tripé governo federal, governos estaduais/municipais e setor privado, este último entrando pesado nas concessões de infraestrutura.

Ou seja, o protagonismo da próxima onda de crescimento econômico será compartilhado.