PIB 2023, indústria e investimentos

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O IBGE divulgou na semana passada os dados do comportamento da economia relativos ao segundo trimestre do ano (II TRI/23). Como já esperado, o PIB do II TRI/23 cresceu apenas 0,9% sobre o I TRI/23, quando havia crescido 1,8% sobre IV TRI/22, puxado pelo comportamento extraordinário do agro.

Agora no II TRI/23, em relação ao I TRI/23: pelo lado da oferta, o agro caiu 0,9%, a indústria subiu 0,9% e os serviços cresceram 0,1%. Pela demanda, o consumo das famílias e do governo cresceu 0,9% e 0,7%, respectivamente. Os investimentos cresceram apenas 0,1%.

Alguns Faria Limers exaltaram o comportamento da indústria neste trimestre. Como não foi bem assim, isto merece reparos. De fato, a indústria total (extrativa, transformação, eletricidade e gás, água, esgoto, gestão de resíduos e construção) cresceu 0,9% no trimestre, puxada pelo crescimento de 1,8% na indústria extrativa. Mas a indústria de transformação, que corresponde a 60% do total da indústria, cresceu apenas 0,3%.

No acumulado de 2023, comparando-se com o mesmo período de 2022: O PIB cresceu 3,7%, o agro 17,9%, a indústria 1,7%, os serviços 2,6%, o consumo das famílias 3,2% e o consumo do governo 2,0%. Por outro lado, os investimentos caíram 0,9%, o que é um mal sinal.

Aqui, mais uma vez, vale repetir o reparo anterior. A indústria de transformação caiu 1,3% no acumulado de 2023 em relação a 2022.

Estes reparos mostram que, em que pese a boa notícia do crescimento econômico, a indústria de transformação e os investimentos estão caindo em 2023, reflexo inequívoco das elevadas taxas de juros, o que vai comprometer o comportamento futuro dos negócios. Qualquer aluno do primeiro ano de economia sabe que o investimento de hoje é o crescimento de amanhã. 

Estes reparos são importantes, pois indicam que o Banco Central já pode aumentar a velocidade de redução das taxas de juros.

 

Roberto Figueiredo Guimarães

Diretor da ABDIB e ex-secretário do Tesouro Nacional