Novos ministérios

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Tudo indica que o novo governo não vai trabalhar com a estrutura do atual Ministério da Economia. Deve dividi-lo em três: Fazenda, Planejamento e Indústria e Comércio.

Neste momento, esta divisão pode ser benéfica.  Explicando.

Primeiro, porque temos que voltar a ter planejamento. Há anos, nossa política econômica tem vivido de puxadinhos, com governos preocupados com ações de curto prazo e sem indicar ao setor privado sua estratégia de desenvolvimento, que precisa ser disruptiva o suficiente para nos tirar da armadilha de país de renda média. 

A política fiscal de verdade se faz com o orçamento público, que é um dos pilares do planejamento e não através da administração do caixa do Tesouro. Um orçamento bem feito é a base de tudo na área fiscal. 

Por isso, a recriação do Ministério do Planejamento é uma importante decisão.

Segundo, por que precisamos reindustrializar o país. Nossa indústria de transformação, indutora de inovação, tecnologia e de empregos de melhor qualidade, ficou para trás em comparação com países como Coreia do Sul, China e Índia.

Será preciso fazer política industrial no país, de forma horizontal e vertical e a recriação de um ministério específico passa a ser um passo relevante.

É claro que o desmembramento do Ministério da Economia, nestas bases, poderá gerar mais discussões acerca das políticas públicas a serem implementadas. Mas isto é bom. O Palácio do Planalto poderá contar com três opiniões, convergentes ou não, para a tomada de decisão, e não apenas uma. 

E o custo orçamentário deste desmembramento é baixo, pois as estruturas burocráticas já existem. 

Como o Brasil precisa urgentemente sair da inércia de baixo crescimento da renda e do emprego, com foco nas questões socioambientais, quem sabe podemos achar os melhores caminhos através dos contraditórios. Na verdade, mais Planejamento e menos Fazenda.

 

Roberto Figueiredo Guimarães

Diretor da ABDIB e Ex-Secretário do Tesouro Nacional