Mercado nervoso 2

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Muitos leitores me perguntaram sobre este tal nervosismo do mercado, querendo entender as causas dessa verdadeira gangorra nos preços de ativos. A cada pronunciamento do presidente eleito Lula ou de algum integrante da equipe de transição, o dólar sobe e a bolsa cai e vice e versa.

A resposta, que pode ser longa o suficiente para gerar um livro, cabe em duas palavras: incerteza e risco.

Mesmo que nada tenha acontecido na prática, além das negociações em torno de uma proposta de aumento de gastos públicos que sequer foi votada no Congresso Nacional, as instituições financeiras e fundos de investimentos, que administram recursos próprios e de terceiros, antecipam movimentos de acordo com suas expectativas.

Se a expectativa é de que o próximo governo vai ser irresponsável na área fiscal, inflação e juros vão subir, a economia não vai crescer e o preço dos ativos vai cair. Por isso cai a bolsa e sobe o dólar. E ocorre o inverso se a expectativa é positiva.

São as incertezas que estão movendo os preços dos ativos neste momento. Se o mercado utilizar as informações do passado para ajudar a formar suas expectativas, haverá melhora no risco e no ambiente de negócios, pois desde a estabilização da inflação ocorrida com o Plano Real em 1994, foram nos governos Lula que se observaram os melhores indicadores de crescimento econômico, investimentos, evolução na indústria de transformação e de resultado primário.

Por outro lado, o mercado também vai observar que todos estes indicadores mudaram de sinal durante o governo Dilma, período no qual o Brasil registrou a maior recessão da sua história.

Isto tudo aliado a uma proposta orçamentária para 2023 já desequilibrada na saída, geram incertezas, que só serão acalmadas quando forem explicitados os caminhos a serem seguidos na esfera fiscal.

Até lá, a gangorra continuará sensível e em movimento.

 

Roberto Figueiredo Guimarães

Diretor da ABDIB e Ex-Secretário do Tesouro Nacional