Boas notícias, por ora 2

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Um leitor perguntou, ao ler o último artigo BOAS NOTÍCIAS, POR ORA, se as boas notícias vindas recentemente da economia, como o crescimento do PIB e do emprego, são ou não sustentáveis.

De acordo com as estatísticas constantes do último Relatório Focus, divulgado pelo Banco Central, não são. Em que pesem os frequentes e históricos erros das previsões, as estimativas do mercado não deixam de ser um indicativo de tendência.

As previsões para 2023 indicam economia crescendo apenas 0,5%, inflação de 5,3%, juros nominais de 11,25% e câmbio em R$ 5,20/US$ 1,00.

As causas para isto são externas e internas. Do front externo, não temos boas notícias. O mundo crescerá menos, podendo até haver alguma recessão, num ambiente de elevada inflação e altas taxas de juros e, ainda, sob as consequências da guerra Rússia-Ucrânia e da Covid-19.

Do lado interno, o Banco Central sinaliza juros elevados por mais tempo, o que inibirá investimentos e o consumo das famílias. Mesmo com a recuperação dos investimentos no segundo trimestre do ano, o próprio Banco Central estima queda do indicador em 2022, o que, se comprovado, contribuirá para frear o crescimento em 2023.

A elevação extraordinária do preço de alguns insumos no âmbito das concessões de serviços de infraestrutura também tem dificultado o bom andamento dos projetos, tanto os já em execução como os que estão no forno.

O consumo das famílias, que está impulsionando o setor de serviços em 2022, tende a ser menor em 2023, em função, principalmente, da inflação dos alimentos e das elevadas taxas de juros.  E, ainda, pelas incertezas em relação aos valores e abrangência do Auxílio Brasil.

Por outro lado, há oportunidades a serem aproveitadas na esteira da transição energética mundial rumo à economia mais verde e o Brasil está bem posicionado no assunto.

Por estas razões, 2023 não será um ano fácil.

 

Roberto Figueiredo Guimarães

Diretor da Associação Brasileira da Infraestrutura e Indústrias de Base – ABDIB e Ex-Secretário do Tesouro Nacional