Ciranda de números

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Os últimos dias foram férteis com a divulgação de resultados de vários indicadores econômicos e de novas previsões para o futuro próximo. 

A taxa de desemprego caiu de 14,7% no trimestre encerrado em maio/21 para 9,8% agora. Trata-se da menor taxa em 6 anos. Esta melhora no emprego, com e sem carteira assinada, veio acompanhada da redução do rendimento real do trabalhador, que está 7,2% menor do que há um ano. Ou seja, há mais emprego e menos remuneração real.

Segundo o IBGE, a melhora está atrelada ao fim das restrições sanitárias, mas os fatores que dificultam a retomada da indústria permanecem: aumento do custo de produção em decorrência da escassez de algumas matérias-primas, juros elevados, que inibem os investimentos e a inflação, que diminui a renda real das famílias.

De fato, a produção industrial tenta, mas não consegue engatar a quarta marcha, mesmo com os pequenos aumentos observados nos últimos dois meses. No acumulado em 2022, a produção está caindo 3,4%, com ênfase na redução da produção de bens de consumo duráveis como automóveis e eletrodomésticos.

As previsões do PIB foram refeitas pelo Banco Central, que agora estima crescimento de 1,7% em 2022, puxado pelo consumo do governo e das famílias, na esteira dos auxílios oficiais e pelas exportações.

Mas um olhar mais atento às novas previsões para 2022, que indicam queda de 2,7% nos investimentos e de 0,9% na indústria de transformação, traz preocupações para 2023 em diante, já que o crescimento dos próximos anos dependerá dos investimentos de hoje.

Mais uma vez, repetindo o que ocorre há anos, nosso crescimento será pífio, pelo menos pelos próximos dezoito meses, pois estará alicerçado no consumo do governo e das famílias, ambos em ambientes frágeis, o primeiro, com restrições fiscais e o segundo, com inflação e juros elevados e nas exportações de produtos primários.

 

Roberto Figueiredo Guimarães

Diretor da Associação Brasileira da Infraestrutura e Indústrias de Base – ABDIB e Ex-Secretário do Tesouro Nacional