Populismo não

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A economia brasileira está andando de lado há décadas. Na verdade, desde a época do milagre econômico, nada acontece de relevante em termos de crescimento econômico.

Dos anos 80 para cá, em que pesem algumas mudanças disruptivas importantes, como o início da abertura da economia e dos processos de desestatização, reordenamento financeiro e orçamentário do setor público, reformas previdenciária e trabalhista ainda que parciais, reestruturação e fortalecimento do sistema financeiro, os governos não conseguiram implantar um programa de desenvolvimento de médio e longo prazos.

O foco sempre estive no combate à inflação e em políticas públicas de curto prazo, coincidentes com os calendários eleitorais.

Os investimentos públicos e privados desabaram, a indústria regrediu no tempo e viramos quase que exclusivamente um país de renda média produtor e exportador de dois ou três produtos primários. É sim importante termos um sólido setor agropecuário e minerador, mas não podemos prescindir de uma indústria forte e inovadora, que multiplicam renda e empregos qualificados.

Precisamos aproveitar e fortalecer algo que deu certo nos últimos anos: a desestatização de serviços públicos de infraestrutura, via privatizações, concessões ou parcerias público privadas. Elevados recursos foram e estão sendo investidos em telecomunicações, energia elétrica, saneamento básico, transportes, etc., gerando empregos e melhorando o serviço prestado à sociedade.

Isto só foi possível graças ao amadurecimento técnico e político, que retirou as questões ideológicas das discussões e ao avanço regulatório, importantes condicionantes para a atração dos investimentos privados.

Mas para não haver retrocessos, é preciso evitar que propostas de medidas de quebra de contratos e de redução da autonomia das agências reguladoras, ganhem força num ambiente populista e eleitoral.

 

Roberto Figueiredo Guimarães

Diretor da Associação Brasileira da Infraestrutura e Indústrias de Base – ABDIB e Ex-secretário do Tesouro Nacional