Autarquia não

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De uns 10 anos para cá, nosso desemprego dobrou, a produção industrial e os investimentos no setor produtivo despencaram e o PIB ficou estagnado. Neste mesmo período, a dívida pública cresceu, as despesas correntes do setor público, inclusive juros, não pararam de subir e os investimentos públicos em infraestrutura caíram.

Uma primeira conclusão é a de que os investimentos não são os vilões das finanças públicas, mas sim as despesas de custeio da máquina pública, que incluem os benefícios previdenciários e os juros da dívida. Os investimentos são a vítima da regra do teto dos gastos, que, erradamente, trata de forma igual despesas desiguais.

Investimentos em infraestrutura, além de multiplicar emprego e renda em todos os setores da economia, elevam o estoque de capital do país e melhoram a qualidade de vida das pessoas.

Se continuarmos nesta toada, daqui a pouco, cem por cento das despesas do orçamento do governo federal serão destinados ao pagamento das despesas correntes vinculadas e juros. E nada para investimentos.

Além da aplicação de recursos em investimentos em infraestrutura, em conjunto e complementar aos investimentos privados, sobretudo naqueles projetos que não trazem o retorno econômico requerido pelo capital privado, o governo federal precisa ser o protagonista de políticas públicas voltadas para a inovação na indústria.

Se não reindustrializarmos o País, ficaremos mais ainda para trás e continuaremos sendo uma nação majoritariamente produtora e exportadora de commodities agrícolas e minerais.

Precisamos de uma indústria forte, inovadora e com inclusão social, como fizeram China, Índia e Coreia do Sul, por exemplo. Sem isto, seremos um País autárquico de renda média, com uma das piores distribuições de renda do mundo e comemorando quando o PIB crescer pífios 2 ou 3% a.a.

 

Roberto Figueiredo Guimarães

Ex-secretário do Tesouro Nacional e atual diretor da Associação Brasileira da Infraestrutura e Indústrias de Base – ABDIB